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Projeto Liberta realiza a 1ª etapa 2025 com formação sobre Comunicação para Direitos Humanos

  • aatrba
  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura

Sobreviventes do cárcere e familiares de pessoas privadas de liberdade participaram das atividades realizadas em Salvador


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O cotidiano de pessoas que sobreviveram ao cárcere, bem como a de suas/seus familiares, é marcado por violações a direitos, preconceitos e estigmas que excluem e marginalizam ainda mais este grupo já tão vulnerabilizado. Com a terceira maior população carcerária do mundo, o Brasil tem 900 mil pessoas em restrição de liberdade, conforme dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). O índice indica a dimensão do desafio estrutural enfrentado pelas pessoas apenadas que denunciam superlotação, violências, condições insalubres e falta de oportunidades de ressocialização. 


Atuar no suporte a este grupo é uma das frentes do Projeto Liberta, iniciativa da AATR em parceria com o Fundo Brasil de Direitos Humanos, realizada com familiares da Frente Estadual pelo Desencarceramento e com integrantes do Coletivo de Familiares de Pessoas Privadas de Liberdade. Ancorada na Educação Jurídica Popular, a iniciativa realiza formações periódicas sobre os direitos das pessoas em cárcere, apoiando-as na identificação e enfrentamento diante de possíveis violações. As atividades da 1ª etapa de 2025 aconteceram entre os dias 18 e 20 de julho, em Salvador, com a presença de egressas e familiares de pessoas encarceradas de diversas partes da Bahia. 



Em continuidade às ações do projeto, esta primeira etapa de formação da iniciativa teve como tema “Comunicação para Direitos Humanos”. Na oportunidade, foram realizadas reflexões e exercícios para conscientização sobre o papel da mídia tradicional. Em contraposição, foram apresentadas alternativas de comunicação comunitária viabilizada por pessoas, entidades e movimentos sociais que contam narrativas amplificadas que contemplam a luta, a história e as denúncias de vozes plurais. A atividade incluiu ainda momentos voltados ao acolhimento de demandas e fortalecimento das sobreviventes do cárcere e das mulheres familiares de pessoas privadas de liberdade, e suas crianças, que  vivenciaram práticas lúdicas afropedagógicas durante os dias de formação. 


Para a advogada popular e assessora jurídica da AATR, Daiane Ribeiro, a formação continuada praticada pelo Projeto Liberta tem em um de seus eixos o objetivo de que as participantes se tornem multiplicadoras junto a outras mulheres, amplificando a dimensão e o alcance da atuação da entidade. 


"Trabalhamos de forma consistente a coletividade e o pertencimento, pois para elas é importante estar em grupo com outras mulheres que fazem parte da mesma luta, que vivenciam as mesmas situações que elas e que inclusive já encontraram modos de lidar com a situação que ela está passando naquele momento, como o caso de uma sobrevivente do cárcere que está fazendo faculdade. A formação possibilita esse aglutinamento, trocas de conhecimento e união de forças, e traz ainda a dimensão de adquirir capacidades mais práticas e estratégicos com a equipe formada por comunicadoras e advogadas, poque porque isso as instrumentaliza para conseguirem fazer a luta com mais chances de dar resultados", avalia Daiane. 



Pesquisa em andamento 


A AATR coordena ainda nova etapa de pesquisa realizada no âmbito do Projeto Liberta, com foco na análise das audiências de custódia e das prisões provisórias no interior da Bahia. O estudo se debruça em investigar a conformidade das práticas do sistema de justiça criminal com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), especialmente no que tange à realização tempestiva das audiências de custódia e à revisão periódica das prisões provisórias. Busca-se, ainda, mapear os locais onde essas audiências não estão sendo realizadas ou ocorrem de forma precária, identificar as lacunas institucionais que favorecem essas omissões, e avaliar os impactos concretos dessas práticas na vida das mulheres privadas de liberdade. 


A pesquisa desenvolvida pela AATR integra um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento das violações no sistema prisional na Bahia que visa formular recomendações que fortaleçam a atuação da sociedade civil organizada e do próprio sistema de justiça, contribuindo para o monitoramento contínuo das violações, a ampliação do controle social e a redução do encarceramento em massa.


Os relatórios anteriores (2020-2022) se aprofundaram sobre o perfil das mulheres presas em flagrante e as medidas cautelares aplicadas, bem como revelaram a compreensão sobre as falhas institucionais que resultam na contínua violação de direitos das pessoas encarceradas. A previsão é que está nova etapa da pesquisa em curso seja publicada em no primeiro semestre de 2026. 


Texto e fotos: Ascom/AATR 


 
 
 

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