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Relatórios expõem ligações entre a indústria da soja, grilagem de terras e desmatamento no Brasil


A pesquisa contou com o apoio da Comissão Pastoral da Terra-Piauí, Associação de Advogadas/os de Trabalhadoras/es Rurais e AidEnvironment


Foram lançados hoje relatórios em inglês e português que expõem a ligação entre empresas multinacionais do agronegócio com desmatamento, violações de direitos humanos e grilagem de terras na sensível região do Cerrado no Brasil. Publicados pela Friends of the Earth U.S. e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, os relatórios mostram que a Bunge Ltd., uma das maiores empresas do agronegócio mundial, continua a impulsionar o desmatamento e a grilagem de terras no Brasil, apesar da pressão de seus acionistas para que adote medidas de sustentabilidade.


O relatório Red Handed Deforestation and Bunge's Silent Conquest: How Land-Grabbers and Soy Speculators Enable the Destruction of Brazil Cerrado, destaca um caso recente de 2.000 hectares de desmatamento ilegal no Piauí. O relatório revela que através do seu quase monopólio do armazenamento e comercialização de soja no Piauí, Bunge permite o desmatamento contínuo e a grilagem de terras na região, mesmo quando estas atividades não são levadas a cabo nas terras da própria Bunge. Para além dos impactos devastadores nos ecossistemas e comunidades locais, o relatório mostra que as práticas da Bunge comportam riscos financeiros materiais para a empresa e para seus acionistas.


O relatório é acompanhado por um trabalho de investigação, Industrial Soy Expansion in Brazil Financialization, Deforestation and Dispossession in the Birthplace of Waters que mostra como a expansão das plantações de soja está relacionada com a especulação fundiária, quando terras agrícolas são transformadas em ativo financeiro por empresas multinacionais, como os fundos de investimento de TIAA e da Universidade de Harvard.




Desmatamento, grilagem de terras e financeirização: Impactos da expansão do monocultivo da soja no Brasil [baixar o pdf] é o relatório em português que traz as informações que dão origem a esta investigação.


Nos últimos cinco anos, 76% da expansão da fronteira agrícola no Cerrado ocorreu em áreas anteriormente caracterizadas por uma vegetação nativa única, que está sendo destruída pela expansão do monocultivo de soja. As plantações de soja ocupam atualmente mais de 4% de todo o território brasileiro e metade desta área encontra-se no bioma do Cerrado.


"Nossa pesquisa mostra a ligação entre a especulação financeira com terras agrícolas e o desmatamento por corporações do agronegócio no Cerrado, com impactos devastadores para comunidades locais e para a biodiversidade", explica Fábio Pitta, pesquisador da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, e um dos autores do relatório. "Comunidades indígenas, quilombolas e camponesas denunciam a violência e a destruição ambiental causada pelo agronegócio e se organizam para proteger suas terras e sua produção ecológica de alimentos para as gerações futuras".


Os relatórios são acompanhados por cartas para os acionistas da Bunge e da ADM, desenvolvidas por Friends of the Earth e Global Witness, como parte de uma campanha para que a Bunge adote práticas sustentáveis, em preparação para a reunião anual de acionistas que será realizada em 12 de maio. Em 2021, 98% dos acionistas da Bunge votaram para que a empresa adote medidas contra o desmatamento. No entanto, o atual compromisso da Bunge para acabar com o desmatamento em suas cadeias de soja até 2025 está atrasado. A campanha alerta que é preciso parar de adquirir soja de fornecedores que estão em terras desmatadas após 2020 no Cerrado, para frear o desmatamento antes de 2025.


O relatório documenta desmatamento na Chapada Fortaleza, no Piauí, que ocorreu no último trimestre de 2021 e foi descoberto em tempo real através de monitoramento por satélite e investigação no local. Este caso comprova que grandes áreas desmatadas no Cerrado estão ligadas ao fornecimento de soja para a Bunge.


"As operações da Bunge no Cerrado continuam a ameaçar ecossistemas e violam direitos humanos fundamentais, apesar da oposição de 98% de seus acionistas", afirma Jeff Conant, coordenador do Programa Florestal Internacional da Friends of the Earth U.S. "Não há dúvida sobre a posição da Bunge, até que seja forçada a respeitar os direitos humanos e os ecossistemas, esta empresa do agronegócio continuará a destruir tudo em seu caminho".


Por Rede Social de Justiça e Direitos Humanos,

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