1. Doutor Eugênio
O jovem advogado
Que pelos pobres lavradores
Seu sangue foi derramado.
2. Ó Deus Onipotente
Pai dessa geração
Para Eugênio a vossa paz
Pedimos de coração.
3. Ó Deus tenha piedade
Deste advogado lutador
Que pelos pobres humildes
O seu sangue derramou.
4. Meu coração está magoado
Minha alma está ferida
Meu real advogado
Por nós perdeu a vida.
5. Ó tristeza para todos nós
Quanta amargura
Nunca mais veremos o seu sorriso
Nunca mais.
6. A sua querida esposa
Que sempre ao seu lado estava
e ele com ansiedade
o primeiro filho esperava.
7. Que dor para a sua senhora
Que junto dele estava
Ao ver o seu amor cair morto
De dor ficou traspassada
8. Morreu o nosso advogado
Que lutou e deu a vida por nós
Nunca mais esqueceremos
Nunca mais.
9. O sangue que derramaste
Não ficará em vão
Continuamos na luta
Crescendo nossa união.
10. Para nós nos consolarmos
Vamos unir dia a dia
Lutando sempre unidos
Era isso que ele pedia.
11. Da união nasce a força,
Dizia o nosso advogado,
Aquele que é desunido
Acaba sendo grilado
12. Grileiro é nossa religião
É coisa de fazer medo
É gente sem coração
É chefe de pistoleiro.
13. Justiça castiga
Os autores do crime
A nossa maior tristeza
É Eugênio não está vivo.
14. Eugênio ídolo sagrado
Eugênio pelos lavradores
Eugênio protetor dos camponeses
Eugênio morreu pela justiça
15. Para nós nos consolarmos
Vamos unir dia a dia
Lutando sempre unidos
Era isso que ele pedia.
Ao companheiro Eugênio Lyra
Nenhuma voz erguida.
Apenas o nosso desespero
e a nossa dor perduram,
enquanto as lizidias ancas dos "nelores"
vão preenchendo os espaços
sob escombros de uma guerra fria e desigual.
Nenhum grito, nenhum gemido -
Ali mesmo tombaste
e teu sangue já nos mostra o horizonte...
É dor para sentir
até que o peito não mais agüente
e arrebente todas as comportas do silêncio.
Penetrem a carne lancinada
uma loucura imensa
até que a madrugada se debruce
e cubra de luz a tua face,
e a manhã se converta num canto de rebeldia.
O sangue deverá correr,
até mesmo a última gota guardada ou insepulta,
para que estrelas se anunciem,
cantando a paz que encontraste.
O fruto que deixaste,
repousa concebido no ventre da sua amada,
como promessa que ecoa mansamente
da tua boca apaziguada.
H. REIS
Salvador, 22 de outubro de 1977
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