Companheiras
e companheiros:
Pedimos a atenção e solidariedade de todas e todos
para com a situação da Comunidade Quilombola
de São Francisco do Paraguaçu, localizada no
Recôncavo baiano, que vem sendo impedida de ter acesso às
terras, matas e mangues que tradicionalmente ocupam há
mais de quatro séculos.
Por
lutarem pela efetivação de seus direitos reconhecidos
na Constituição e em tratados internacionais, estão
convivendo com um cotidiano de ameaças, terror e violência
por parte dos fazendeiros da região.
Quem
pode imaginar pecadores/as e marisqueiras sem acesso ao mangue?
Piaçabeiros sem acesso à piaçava? Rezadeiras
sem acesso às folhas? Mães de Santo sem acesso aos
locais sagrados da natureza?
Não
falta legislação que proteja o direito à
vida, à subsistência e à cultura dessa comunidade
que, além de quilombola, é extrativista.
Mas,
no recôncavo baiano, ainda vale o facão na mão
do capataz, a cerca em cima do mangue, a ameaça de morte,
a derrubada de casas e um mandado de reintegração
de posse com base em um título duvidoso e sem audiência
de justificação prévia.
Apesar
da ação de Reintegração de Posse proposta
pela fazendeira Ângela Santana ter sido deslocada para a
Justiça Federal, o novo juiz, da 1ª Vara federal,
decidiu manter a liminar de reintegração de posse,
ignorando que essa decisão tem servido de um cheque
em branco para a fazendeira, seus capatazes e a polícia
militar cometer mais abusos contra os quilombolas de Paraguaçu.
A
presteza do judiciário em decidir contrasta com a omissão
do IBAMA que, desde 2000, não concedeu à comunidade
o uso sobre a Reserva Extrativista pertencente ao território
(Decreto 11 de agosto de 2000 e Lei do SNUC - Sistema Nacional
de Unidades de Conservação).
Contrasta
também com a lentidão do INCRA que ainda não
demarcou o território, mesmo com o reconhecimento dessa
comunidade pela Fundação Cultural Palmares desde
17 de junho de 2005 (Decreto 4887/2003).
Por
isso, mais uma vez e quantas mais forem necessárias, convocamos
todas as pessoas, entidades e organizações que estão,
como nós, indignadas com mais uma decisão que atenta
contra os direitos fundamentais do povo negro e das comunidades
quilombolas a manifestarem seu apoio à comunidade, enviando
a nota anexa para o juiz federal responsável pela causa.
Quem
quiser saber mais sobre o que se passa na comunidade, basta assistir
ao vídeo Território Ameaçado
A Luta Quilombola em São Francisco do Paraguaçu,
no endereço www.grifocomunicacao.com.br/doc-quilombo.htm.
Saudações,
Salvador,
20 de outubro de 2006
AATR-BA
Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais no Estado da Bahia
ATENÇÃO:
Para manifestação de apoio deve ser enviado APENAS
o modelo de
carta via email, fax ou carta:
1ª
Vara Cível da Seção Judiciária da
Bahia - Tribunal Regional Federal da 1ª Região
PROCESSO
N.º 2006.33.00.015119-5
EXMO.
SR. DR. PEDRO BRAGA FILHO - Juiz Titular da 1ª Vara Cível
Emails:
01gabju@ba.trf1.gov.br
e 01vara@ba.trf1.gov.br
Tel.:
(71) 3372-2658 / Fax: (71) 3372-2620
Endereço:
Fórum Teixeira de Freitas - Av. Ulysses Guimarães,
nº 2.631 - Sussuarana - Salvador/BA - CEP: 41213-970
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