Companheiras
e companheiros,
Há
cerca de dois meses, quilombolas de São Francisco do Paraguaçu,
localizado no Recôncavo Baiano, realizaram a retomada de
terras pertencentes ao território secular da comunidade
indevidamente apropriadas por latifundiária da região.
A ação, minimamente reparadora de injustiças
históricas praticadas contra essa comunidade negra rural
e legitimada por direitos garantidos na Constituição
de 1988 e em Tratados Internacionais, justificou-se diante da
falta de atuação dos órgãos públicos
federais e da necessidade premente de garantir a sobrevivência
física, econômica e cultural do Quilombo.
O
poder judiciário local, entretanto, que em ações
anteriores já tinha proferido entendimento pela competência
da justiça federal para solucionar conflitos envolvendo
direitos das comunidades remanescentes de quilombos, teve postura
diferenciada diante da situação do quilombo de São
Francisco e concedeu liminar de reintegração de
posse contra a comunidade - apesar da intervenção
de órgãos federais como o Ministério Público
Federal e a Fundação Cultural Palmares manifestando
interesse no feito.
Com a liminar concedida a favor da latifundiária, a situação
tem sido de muita tensão para a comunidade quilombola de
São Francisco do Paraguaçu, que vem sendo reiteradamente
ameaçada de despejo pela polícia. No último
dia 10, policiais estiveram presentes na área destruindo
roças, barracos e ameaçando levar os animais. A
resistência quilombola e solidariedade de organizações
e movimentos que impediram uma ação mais truculenta,
mas a ameaça de uma ação policial mais violenta
ainda persiste.
Contra
a decisão do juiz foi oferecido recurso no Tribunal de
Justiça da Bahia, mas a liminar foi mantida até
ouvida de informações da parte contrária.
Indignados
com a decisão do Judiciário, que violenta direitos
fundamentais tardiamente reconhecidos à população
negra que sofreu 500 anos de discriminação oficial
e exploração pela elite colonial, burguesa e industrial
desse país, convocamos todas as organizações,
movimentos sociais e militantes de direitos humanos a manifestarem
seu apoio à luta do Quilombo de São Francisco do
Paraguaçu, enviando ao juiz da Comarca e ao Tribunal de
Justiça do Estado da Bahia cartas de apoio à comunidade,
nos endereços abaixo.
saudações,
AATR-BA
ATENÇÃO:
Para manifestação de apoio deve ser enviado APENAS
o modelo de carta que segue em ANEXO:
Tribunal
de Justiça do Estado da Bahia
Agravo 32041-4/ 2006
Desembargador: Antonio Pessoa Cardoso
Quarta Câmara Cível
End.: 5ª Av. do CAB, nº 560, Salvador/BA
CEP: 41746-900
Fone: (71) 3372-5380 - Fax: (71) 3372-5598
Modelo:
Para_o_Tribunal_de_Justi_a_da_Bahia.doc
Juiz
de Direito da Comarca de Cachoeira
Juiz: Alberto Raimundo Gomes dos Santos
Processo nº 1112600-6 /2006
End.: Fórum Augusto Teixeira de Freitas - Praça
Juíza Ivone Bessa Ramos, s/nº
CEP: 44300-000
Fone: (075) 3425-1460 - Fax: (075) 3425-1478
Atendimento: 08:30 às 11:30 - 13:30 às 18:00
Modelo:
Para_o_Juiz_da_Comarca_de_Cachoeira.doc
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