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Bahia
é um dos poucos estados brasileiros a adotar Provita,
cujo convênio foi assinado.
A
Bahia é um dos poucos estados brasileiros a contar
com um serviço de proteção a vítimas
de crimes. O passo final para a implantação
do serviço foi dado ontem pela manhã, quando
o governador Paulo Souto assinou um convênio com a AATR
(Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais
do Estado da Bahia) para a implantação do Provita
(Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas).
O convênio, assinado na presença do secretário
da Justiça, Ivan Brandão, e de representantes
do Ministério da Justiça e da Comissão
de Direitos Humanos do Estado, visa propiciar apoio e proteção
a testemunhas e vítimas de atos violentos, extensivo
a familiares, permitindo a apuração dos crimes
nas esferas policial ou judicial como meio eficaz de combate
à impunidade.
"Com esse programa estamos chamando a sociedade organizada
para participar da proteção às vítimas
e testemunhas de crimes. Isso é fundamental porque
muitas vezes não se esclarece o crime, em virtude do
medo que a testemunha ou a vítima tem de retaliação
dos criminosos", disse Souto, lembrando que este programa
contribuirá para acabar com a impunidade. "Nada
é pior numa sociedade democrática e organizada
do que a impunidade e este é um instrumento a mais
para a punição de autores de crimes de difícil
elucidação."
Para o secretário Ivan Brandão, mais do que
uma adequação do estado ao Programa Nacional
de Direitos Humanos, o Provita significa o fortalecimento
da política estadual voltada a esta questão.
O programa que vem sendo implantado na Bahia utiliza como
modelo a experiência bem-sucedida de Pernambuco, estado
no qual a guarda e proteção de testemunhas está
a cargo do Gajop (Gabinete de Assistência Jurídica
às Organizações Populares), uma organização
não-governamental.
Entre as autoridades presentes à solenidade estavam
o secretário do Planejamento, Ciência e Tecnologia,
Luiz Carreira, os deputados estaduais José Ronaldo,
Nelson Pellegrino e Maria Del Carmen, e o presidente da AATR,
Gil Nunes Maia Júnior, e representantes do Gajop, Jaime
Bevenuto e Amália Ribeiro, e o representante da Secretaria
Nacional de Direitos Humanos, Humberto Espínola, além
do presidente do Procon, Archimedes Pedreira Franco.
Conselho
define diretrizes
As diretrizes do programa na Bahia serão decididas
pelo Conselho Estadual de Proteção aos Direitos
Humanos, vinculado à Secretaria da Justiça.
Através do Provita, as vítimas e testemunhas
de crimes serão protegidas e abrigadas por organizações
não-governamentais, com recursos repassados pelo Governo
do Estado, até que ocorra o julgamento dos culpados
pelos crimes. Além da Secretaria da Justiça,
estarão cooperando também para a execução
do programa as secretarias da Segurança Pública,
do Trabalho e Ação Social, da Educação,
da Saúde, da Administração e a Polícia
Militar.
Para o perfeito funcionamento do programa, a Secretaria da
Justiça passa a ter como atribuições
articular o esquema de proteção às vítimas
junto aos demais órgãos envolvidos (SSP, Setras,
SEC, Sesab e Polícia Militar), comunicar à AATR
sobre a existência de qualquer alvará de soltura
ou fugas praticadas por presos envolvidos e beneficiários
da proteção e assegurar, através da Defensoria
Pública do Estado da Bahia, assistência jurídica
ao beneficiário da proteção.
A AATR coordena e executa o programa, com o atendimento aos
beneficiários da proteção - funcionando
como entidade operadora -, realiza a triagem dos casos para
encaminhar ao atendimento, acolhe os beneficiários
para fins de guarda e os mantém informados a respeito
dos seus processos. Além disso, a AATR deverá
remeter relatórios para o secretário-geral da
Anistia Internacional dos casos que envolvam proteção
de vítima, familiar ou testemunha.
O Provita é uma parceria entre a Secretaria Nacional
dos Direitos Humanos, os governos estaduais e as organizações
não-governamentais (ONGs). Além de Pernambuco
e Bahia, o programa está sendo implantado no Rio de
Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.
Ao assinar convênio para o Provita, Souto assegura respeito
aos direitos humanos.
Luciano da Mata
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