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Moção
de solidariedade ao advogado Eugênio Lyra
Venho requerer, na forma regimental, que seja inserido
nos Anais desta Casa Legislativa voto solidariedade in memoriam
ao advogado Eugênio Lyra, pelas razões que passo a
expor:
Era uma quinta-feira, 22 de setembro de 1977. O advogado Eugênio
Lyra, 30 anos de idade, saía à luz do dia da barbearia
em Santa Maria da Vitória, ao lado de sua mulher Lúcia
Lyra, também advogada, grávida de cinco meses. Do
nada surgiu o pistoleiro Wilson Gusmão, apontou a arma para
a testa de Eugênio Lyra e atirou. Morreu ali mesmo, nos braços
de sua mulher.
Hoje, 22 de setembro de 2003, completam-se 26 anos desde o martírio
do advogado Eugênio Lyra, que dedicava sua vida à defesa
dos trabalhadores rurais, dos posseiros ameaçados pela grilagem
da terra no Além São Francisco. Eugênio Lyra
viria a Salvador no dia seguinte para prestar depoimento na CPI
da Grilagem nesta Assembléia Legislativa da Bahia.
À época houve muita repercussão,
na Bahia, no Brasil e no mundo. As investigações apontaram,
além do pistoleiro, autor material do crime que ceifou a
vida do jovem e guerreiro advogado dos oprimidos, o envolvimento
do fazendeiro Valdely Rios, que encomendou o assassinato por 40
mil cruzeiros juntamente com o advogado Alberto Nunes, Abílio
Antunes, Cantídio de Oliveira e João da Costa da Silva.
Tudo com a cumplicidade do próprio delegado de polícia
Eymar Portugal Sena Gomes.
Eugênio Lyra e Lúcia Lyra, que fizeram a opção
pelos direitos dos posseiros e trabalhadores rurais, e atuavam em
Feira de Santana, Riachão do Jacuípe, Cachoeira e
Santo Antônio de Jesus, fecharam o escritório de advocacia
da rua Chile, e transferiram-se em 1976 para Santa Maria da Vitória,
onde fixaram residência e se dedicaram a lutar, na Justiça,
pela devolução das terras dos pequenos agricultores,
tomadas com violência pelos grileiros. Enfrentaram com coragem
e determinação as ameaças e perseguições.
Eugênio Lyra é um mártir brasileiro.
Pagou com a própria vida sua fome de justiça, numa
época em que a ditadura militar reprimia com violência
os movimentos populares e quaisquer protestos contra a expulsão
de milhões de trabalhadores do campo para as cidades. A ditadura
fizera então a opção pelos ricos, pelos investimentos
agropecuários nas terras ocupadas pelos posseiros há
décadas. As ações em defesa dos posseiros eram
tratadas como crimes de subversão. Portanto, advogados como
Eugênio Lyra e líderes dos trabalhadores rurais enfrentavam
um dupla ameaça: dos militares no poder e dos grileiros investidores.
Os governos do Estado da Bahia embarcaram na política da
ditadura. Comarcas inteiras eram deixadas sem juízes. E a
Bahia transformou-se no estado campeão dos assassinatos e
da violência no campo. Casas eram queimadas, lavouras de subsistência
eram destruídas, prisões arbitrária eram feitas
por delegados de polícia, espancamentos e expulsões
sumárias de lavradores eram perpetradas.
As ameaças voltaram-se contra os advogados
dos trabalhadores rurais e a morte de Eugênio Lyra, lá
em Santa Maria da Vitória, no Oeste baiano, a mil quilômetros
da capital, foi o batismo de sangue do nascente e novo movimento
sindical que se espalhava pela Bahia. Eugênio Lyra passou
a ser um exemplo de determinação, coragem, solidariedade
aos excluídos, competência profissional. Um mártir.
E como tal deve ser lembrado.
Queria estender essa homenagem à Associação
dos Advogados de Trabalhadores Rurais - AATR, criada em 1982, que
incorporou o espírito de abnegação e luta de
Eugênio Lyra, seu estilo de advocacia e militância,
e que por todos estes anos vem celebrando sua memória e lutando
por seus ideais de justiça, seja organizando A Semana da
Terra Eugênio Lyra, seja editando obras como Por que morreu
Eugênio Lyra?, seja promovendo a formação de
juristas leigos, fazendo surgir centenas de outros eugênios
lyras na defesa dos oprimidos.
Salvador, 22 de setembro de 2003
Emiliano José
Deputado estadual - PT

Septiembre
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Día
22
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1897
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Antonio
Conselheiro, luchador contra las injusticias cometidas contra
el pueblo pobre del sertão, precursor de la liberación
brasileña, líder de la Guerra de Canudos. |
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1977
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Eugenio
Lyra Silva, abogado de la Federación de los Trabajadores
de la Agricultura, mártir de la justicia. |
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