Associação de Advogados
de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia


Editorial
XXIII Semana da Terra "Eugênio Lyra"
Juristas Leigos
Políticas Públicas
    
Cursos de Formação
     •
Articulação em Políticas Públicas
     • 
Seminário de Encerramento da Campanha “Quem Não Deve Não Teme”
Meio Ambiente e Recursos Hídricos
     • O Rio São Francisco Vai Bater no Meio do Mar ?
     • Mais uma Ação Judicial
     • Seminário sobre a Transposição do São Francisco
Combate ao Trabalho Escravo
     • Lançamento da Campanha contra o Trabalho Escravo e Degradante
Territórios Negros
     • AATR E CPT realizam Oficinas de Formação para Comunidades Quilombolas
     • Organização Quilombola na Bahia
     • Violência contra Quilombolas
     • Quilombolas e assessores são ameaçados por fazendeiro
     • Imunidade de Iptu dos Terreiros de Candomblé
     • Quilombos Urbanos
Direitos Humanos

     • Relator contra o racismo encontra com Comunidades Quilombolas
     • AATR denuncia violações contra defensores de Direitos Humanos à ONU
Rapidinhas


Notícias da AATR
Boletim Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia – Julho a Dezembro de 2005 - Nº 25




Editorial

A AATR inicia o ano de 2006 com grandes expectativas. Com a finalização do plano trienal 2003-2005 (para conhecê-lo basta acessar http://www.aatr.org.br/Programas/documento_referencia_2003.pdf), iniciamos agora um processo de discussões para elaboração do novo documento referência 2006-2008.

A concretização do plano de 2003 a 2005 representou um grande desafio. Mesmo com as mudanças ocorridas em 2005, que foram desde a eleição de uma nova diretoria até a mudança da equipe técnica e de estágio, este ano foi de concretização e finalização das metas colocadas.Agora é hora de estabelecer novas metas e definir prioridades.

O plano trienal é o documento que estabelece as diretrizes políticas da entidade. Nele, a partir da análise do cenário político, tiram-se os objetivos, as linhas de ação e metas no período dos três anos seguintes. Trata-se, portanto, de um planejamento da atuação da AATR que deve ser pensado com a colaboração das\os associadas\os.

Por isso, iniciamos as discussões sobre a construção deste novo plano em Senhor do Bonfim, na Assembléia da AATR, na qual foi enfatizada a questão do caráter associativista. O debate também foi levado à reunião de diretoria que ocorreu no dia 13 de janeiro. Nesta reunião outras temáticas também foram destacadas como importantes na discussão do novo plano trienal: a questão de gênero e a questão racial, que precisam ser discutidas com mais profundidade e também a captação de recursos, além de temas relacionados ao fortalecimento institucional.

Buscamos democratizar ao máximo a elaboração do plano, objetivando aproveitar a oportunidade para fortalecer os espaços de debate entre associadas\os e parceiros, que, através das diferentes formas de apreensão da realidade, contribua para análise e proposição de prioridades para o próximo período. Assim, estamos colhendo sugestões e demandas e nos dias 03 e 04 de fevereiro será realizada uma reunião ampliada para aprofundar as discussões. No encontro anual de abril, fecharemos as discussões e finalizaremos o novo plano trienal.

topo



XXIII SEMANA DA TERRA “EUGÊNIO LYRA”

“Plantemos novas sementes
Colhamos frutos maduros
Rompamos todas as frentes
E obstáculos futuros
Sejamos mais conscientes
E juntos, onipotentes
Prostremos todos os muros”

Eugênio Lyra

A AATR realizou nos dias 15, 16 e 17 de dezembro, em Senhor do Bonfim, a XXIII Semana da Terra Eugênio Lyra, com a temática Movimentos Sociais no Campo e a Atual Conjuntura. Foram ainda escolhidos como sub-temas a questão do uso comum da terra, abrangendo tanto as terras de quilombos como os fundos de pasto, e a questão da criminalização dos movimentos sociais.

Para a realização desta Semana da Terra contamos com o importante apoio da CPT de Senhor do Bonfim, que colaborou, entre outras coisas, com a mobilização dos movimentos locais para participação no evento. As discussões tanto nos painéis, quanto nas oficinas realizadas, foram riquíssimas, gerando grandes contribuições para a atuação da entidade.

Ao fim da Semana da Terra, como é usual, já que é um momento em que as\os associadas\os estão reunidas\os, foi realizada uma assembléia para apresentação do andamento dos projetos e das contas. A assembléia é também o momento de realização de novas associações, portanto a AATR conta agora com mais dois novos associados: Sander Prates e Carlos Eduardo Chaves.

Para socializarmos o conteúdo das discussões que foram realizadas nesta Semana da Terra estaremos, em breve, circulando um boletim especial sobre a XXIII Semana da Terra Eugênio Lyra. Aguardem!

topo


JURISTAS LEIGOS

Em 2005, o Programa Juristas Leigos seguiu com a sua proposta de, através da educação jurídica popular, instrumentalizar e fortalecer a atuação das lideranças regionais dos movimentos sociais populares. O objetivo do Juristas Leigos é democratizar o saber jurídico de forma que este possa cumprir a sua função enquanto instrumento para a transformação social e não somente como instrumento de dominação e reprodução das injustiças sociais.

No programa, foi incluída uma etapa inicial de diagnóstico. Espera-se que, com esta etapa, seja possível direcionar ainda mais o curso para a realidade específica dos conflitos de cada região, facilitando a apreensão da teoria e imbuindo-a de maior concretude.

Nos dias 26 e 27 de agosto de 2005, formou-se a turma de Juristas Leigos de Ilhéus. Os mais novos juristas leigos de Ilhéus fizeram uma festa para comemorar a conclusão, com direito à mística, música e comes e bebes, num clima saudosista e de comprometimento na construção de uma proposta de atuação do grupo.

As expectativas para 2006 iniciam-se com a turma de pescadores e marisqueiras que foi formada em Maragogipe com o apoio da Comissão Pastoral da Pesca. A turma tem a especificidade de contar com um grupo já anteriormente articulado de cursistas, o que facilitará no encaminhamento das ações práticas. A primeira etapa do curso foi realizada nos dias 02 e 03 de dezembro de 2005.

topo


POLÍTICAS PÚBLICAS

Cursos de Formação

O Programa de Políticas Públicas da AATR concluiu a formação de mais duas turmas – uma em Alagoinhas, nos dias 09 e 10 de setembro, e outra em Barreiras, nos dias 30 de setembro, 1o e 2 de outubro. Ao todo, foram quatro etapas de 80 horas em cada região, contemplando militantes de vários municípios vizinhos interessados em compreender e fazer uso dos mecanismos de intervenção em Políticas Públicas, sobretudo no âmbito do poder local. Ao lado das discussões sobre mecanismos de participação, fiscalização de contas, orçamento público e conselhos municipais, os cursistas participaram efetivamente da Campanha Quem Não Deve Não Teme, realizaram visitas às Câmaras, Prefeituras, promotorias, peticionaram na defesa de direitos relacionados à participação popular e, atuando como multiplicadores, procuraram socializar as discussões com vários outros grupos.

Um destaque vai para a continuidade das discussões e dos encontros por parte dos cursistas de Alagoinhas que tomaram a iniciativa de fomentar uma articulação regional para intervenção em políticas públicas no litoral norte do Estado.Duas reuniões dessa articulação já aconteceram, uma em Conde e outra em Esplanada, e esses cursistas devem co-facilitar as novas etapas de Políticas Públicas que a AATR – em parceria com a Diocese - realizará na região, alcançando outros municípios e com foco na política agrícola e agrária.

Em Barreiras o curso de formação foi fruto de uma parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e contou com a participação mista de estudantes e militantes de movimentos sociais.

Articulação em Políticas Públicas

Por indicação do último seminário da Articulação em Políticas Públicas do Estado da Bahia, realizado nos dias 07 e 08 de abril de 2005, a AATR e o CAA – Centro de Assessoria do Assuruá – assumiram o papel de secretariar e animar, em conjunto com o restante do núcleo facilitador (CEAS, CPT, APD/Ceres, MOC), a articulação. Neste ano, várias reuniões do núcleo foram realizadas no sentido de construir um projeto de estruturação da APP, dotando-a de condições mínimas para uma comunicação mais permanente entre as várias entidades que a integram, tanto no interior quanto na capital, maior circulação de informações e integração de atividades.

Esse processo de articulação de entidades e movimentos que trabalham com Políticas Públicas no Estado da Bahia, reunidas em torno da APP, acontece desde 2001 e foi fruto da necessidade de se construir no estado um espaço (fórum, rede) para troca e potencialização das várias experiências em andamento, voltadas para o fortalecimento da participação popular no processo de formulação, elaboração e execução de políticas públicas; para reflexão e debate sobre essas políticas no nível federal, estadual e local, tanto em linhas gerais quanto específicas; para discussão crítica da relação entre sociedade civil e governo; e proposição e promoção de ações conjuntas entre as várias entidades/movimentos a partir da identificação de interesses comuns, evitando assim o paralelismo de ações que só fragmenta o poder popular.

Seminário de Encerramento da Campanha “Quem Não Deve Não Teme”

No dia 29 de novembro de 2005, aconteceu no auditório da OAB/Ba, o seminário de encerramento da Campanha Quem Não Deve Não Teme, com a presença de Dr. Valmiro Macedo, representando a Procuradoria Geral de Justiça, Dra. Ariadne Barreto, representando o Ministério do Controle e Transparência e Rosângela e Antoniel Alves, representando os diversos grupos de cidadania do interior. Ainda participaram pessoas de Uibaí, Esplanada, Conde,Umburanas, Capim Grosso, Gentio do Ouro, Canapólis e Itabuna.

No evento, foi exibido um vídeo com registros da Campanha nesse primeiro ano e foram apresentados os resultados quantitativos e qualitativos alcançados, com distribuição de boletim informativo. Ao Ministério Público e à Controladoria Geral da União foi entregue relatório com sistematização de todos os dados e fatos mais emblemáticos de irregularidades nas administrações municipais.

Ao todo, a Campanha alcançou diretamente 118 municípios (aproximadamente 28% dos municípios da Bahia), utilizando-se de diversas estratégias como atividades de formação (58 municípios), caravanas e reuniões de sensibilização (20 municípios), 01 lançamento estadual e 05 lançamentos regionais. Em 31 municípios as contas públicas foram disponibilizadas (26% do total de atingidos), em 17 municípios os grupos não conseguiram ter acesso e em torno de 70 não deram retorno.

Apesar dos inúmeros desafios encontrados – cultura autoritária dos gestores, falta de informação, burocratismo, lógica partidária, medo de represálias, - na avaliação geral de todos os participantes a mobilização foi exitosa e deve avançar no próximo ano, tanto no alcance de novos municípios, no incremento de ações para efetivar o acesso amplo e irrestrito às contas municipais quanto na análise mais qualitativa dos gastos realizados, em especial nas administrações onde já se alcançou um nível razoável de transparência e abertura.

topo


MEIO AMBIENTE E RECURSOS HIDRICOS

O Rio São Francisco Vai Bater no Meio do Mar ?

Após o longo caminho já percorrido pelos movimentos sociais na luta contra a transposição do Rio São Francisco, aliada à repercussiva greve de fome do Bispo D. Luiz iniciada em outubro de 2005, a questão ganhou a visibilidade que necessitava para que fosse iniciado um processo de discussão entre o Governo Federal e movimentos populares. O resultado deste processo de negociação foi a promessa de suspensão da Transposição até que houvesse uma ampla, transparente e qualificada discussão com a sociedade sobre as formas de convivência com o Semi-árido, considerando, dentre as possibilidades, a da transposição do São Francisco.

Durante a greve de fome em Cabrobó, foram realizadas uma serie de manifestações de apoio à luta do D. Luiz, que partiram de várias localidades do Nordeste, reunindo amplos setores dos movimentos sociais, as quais a AATR acompanhou diretamente. Em Salvador, além de passeatas, ocorreu uma Vigília em frente à sede do IBAMA no dia 03 de outubro – véspera do aniversário do Velho Chico.

Aproveitando o fato político, foi realizada uma Assembléia com movimentos sociais e entidades de assessoria de todo o Nordeste em Juazeiro, contando com a participação de mais de 1200 pessoas, tendo como principais encaminhamentos: manter a mobilização contra a transposição; construir um debate amplo e participativo sobre desenvolvimento sustentável, pensando em alternativas de convivência com o Cerrado e o Semi-Árido; constituir uma Frente Nacional Popular de luta por uma nova cultura de relação harmoniosa com a água e os recursos naturais; disposição para as ações necessárias caso o Governo não suspenda as obras da Transposição; e constituição de um espaço organizativo e mobilizador unificado, formado pelas entidades e movimentos lá presentes. Foi ainda discutida na Assembléia a celeuma em relação à realização de um plebiscito sobre a questão da transposição. O debate foi bastante rico e terminou com decisão da não realização do plebiscito, haja vista que a falta de informação e até mesmo a manipulação destas pelos grandes meios de comunicação de massa inviabilizam que este processo seja feito de forma realmente democrática.

Mais uma Ação Judicial

Em paralelo às vias mais diretas de pressão e mobilização, a sociedade civil organizada fez uso também das vias judiciais, impetrando uma nova ação civil pública com pedido de liminar exigindo a tutela do Rio, especialmente devido à concessão da licença prévia à execução do Projeto pelo IBAMA. A AATR, em conjunto com o Ministério Público da Bahia, Ministério Público Federal, o Grupo Ambientalista da Bahia (GAMBÁ), o Instituto de Ação Ambiental da Bahia (IAMBA), o Movimento Paulo Jackson e a OAB/BA, impetraram a ação no dia 30 de setembro, tendo obtido uma rápida prestação judicial.

Esta ação foi julgada pela juíza Cinthya de Araújo Lima Lopes, da 14a vara federal da Bahia, que, rápida e prudentemente, concedeu a liminar atendendo à totalidade do pedido, ou seja:

a- suspensão do procedimento de licenciamento ambiental;

b- suspensão dos efeitos da Licença Prévia concedida pelo IBAMA;

c- abstenção, pelo IBAMA, da concessão da licença posterior, a de Instalação ;

d- abstenção, pela União, da prática de qualquer ato que consista na execução do Projeto, inclusive as licitações já em curso.

Sem dúvida esta é uma grande arma na luta contra a transposição, apesar de o Governo Federal vir passando por cima inclusive das determinações judiciais que exigem cautela na execução do Projeto. Note-se que já existia uma liminar anterior a esta, concedida pelo mesmo juízo, em virtude da qual o Governo já estava impedido de realizar atos que resultassem na execução do Projeto, o que não vinha sendo cumprido.

Todavia, novos obstáculos aparecem para a atuação no judiciário contra a realização da transposição. Sob o argumento de que as ações estariam violando a harmonia do pacto federativo, o STF avocou todas as ações relativas à questão do São Francisco para si. Ressalte-se que o argumento para a avocação do STF deve ser relativizado. No caso de Minas Gerais, no qual as ações foram iniciadas pelo Estado objetivando barrar o processo da transposição, pode-se considerar a violação do pacto federativo, contudo, no Estado da Bahia, as ações foram iniciadas pela sociedade civil e pelo Ministério Público Estadual e Federal, não sendo possível, portanto, a interpretação de um conflito no pacto federativo, já que não se trata de lide entre Estado e união.

O STF é, na realidade, um tribunal político. As decisões judiciais em sua totalidade são também decisões políticas e, no caso do STF, o teor político de suas decisões é ainda mais patente. Portanto, a susceptibilidade da decisão às pressões de grupos políticos que serão beneficiados com o projeto é ainda maior. Ainda, deve-se levar em consideração a questão geográfica que dificulta ainda mais as possibilidades de luta. Enquanto os interesses das elites encontram fácil representação em Brasília, a luta das comunidades ribeirinhas e dos indígenas fica esquecida por ministros que pouco conhecem sobre a importância socioeconômica e cultural que o rio possui para estes grupos populares.

Seminário sobre a Transposição do São Francisco

O Ministério Público e a Universidade Federal da Bahia promoveram nos dias 8, 9 e 10 de setembro último, na Faculdade de Direto da UFBA, um grande debate sobre o Projeto, do qual a AATR participou ativamente tanto na organização como na presença em mesas e realização de oficinas.

O Seminário contou com as riquíssimas contribuições dos povos Tingui-Botó e Kariri-Xokó – que vivem nas proximidades de um dos pontos previstos como de captação das águas, na Bahia, de alguns representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, e de entidades de assessoria aos movimentos que estão ligadas à questão. Contando também com a participação de acadêmicos, como o prof. Celso Antônio Pacheco Fiorrillo e estudantes universitários, o encontro teve momentos importantes de reflexão sobre as estratégicas que devem ser adotadas para impedir a execução do Projeto. Em relação ao público geral, a avaliação é de que o evento poderia ter tido uma presença mais expressiva dos movimentos socais.

Ressalte-se que o Ministério da Integração foi convidado com bastante antecedência para participar do Seminário, confirmou a presença e, a dois dias da realização, avisou da impossibilidade do comparecimento. Este incidente demonstra a falta de compromisso do Governo Federal em dialogar com a sociedade para discutir a questão.

A AATR participou de duas mesas, sendo uma com a presença de Ana Cacilda Reis que falou sobre a situação jurídica da Transposição, e outra de Sara Côrtes, sobre ética na gestão da coisa pública. A equipe de estágio da AATR também realizou uma oficina sobre os aspectos político-jurídicos da transposição, participou integralmente do evento – inclusive na organização – e de parte da relatoria.

O Seminário culminou numa assembléia que socializou os encaminhamentos das três oficinas – movimentos sociais, aspectos político-jurídicos, e mídia e transposição – e criou uma rede entre os participantes para fortalecer a luta em defesa do Rio e contra a Transposição.

topo



COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO

Lançamento da Campanha contra o Trabalho Escravo e Degradante

O lançamento da Campanha Contra o Trabalho Escravo na Bahia, que vem sendo realizada pela AATR e CPT, ocorreu no dia 15 de agosto, no auditório da Associação Baiana de Imprensa, e contou com a presença de Xavier Plassat, membro da CPT do Pará, responsável pela Campanha Nacional contra o Trabalho Escravo, e do juiz Jorge Vieira, de Belém, primeiro a proferir uma sentença com indenização por danos morais em favor de trabalhadores e trabalhadoras que se encontravam em condições análogas à escravidão.

A presença de personagens de outros Estados, onde a luta contra o trabalho escravo já possui grande repercussão, em conjunto com atores que vêem pautando esta luta na Bahia, foi relevante para trazer à tona esta realidade no nosso Estado, até então convenientemente acobertada pela mídia ligada aos interesses dos grandes fazendeiros do agronegócio.Aliás, a Bahia é um dos Estados que mais possui trabalho em condições análogas à escravidão.

A discussão da temática do trabalho escravo também foi travada no seu viés jurídico, cuja polêmica ainda precisa ser aprofundada. No âmbito do direito do trabalho, discute-se a possibilidade de pedido de danos morais individuais em paralelo com o pedido de danos morais coletivos feito pelo Ministério Público. Neste sentido, a AATR-BA tem tido uma forte atuação no judiciário, onde vem obtendo bastante sucesso. Foram diversas ações de indenizações por danos morais individuais ingressadas pela AATR e o posicionamento das/os juizas/es trabalhistas, em primeira instância, mostrou-se sensível à questão das trabalhadoras e dos trabalhadores submetidos/as a esta situação, apesar de não ser esta a regra quando a questão é o direito das/os trabalhadoras/es. Ainda estamos aguardando para conhecer a posição do TRT da 5° região que até então não se manifestou sobre a questão.

Outras discussões ainda estão por ser travadas, como a necessidade de entender o trabalho escravo para além da dimensão do direito trabalhista, buscando no direito penal, ambiental e na doutrina dos direitos humanos outros formas de compreensão, no ordenamento jurídico e fora dele, das atrocidades que são realizadas contra os/as trabalhadoras/es. Ainda temos um longo caminho a percorrer...


topo


TERRITÓRIOS NEGROS

AATR E CPT realizam Oficinas de Formação para Comunidades Quilombolas

A AATR, em parceria com a CPT, organizou três oficinas de formação com as comunidades quilombolas das regiões dos municípios de Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista e Xique-Xique. As oficinas tiveram como objetivos discutir as questões do auto-reconhecimento e identidade quilombola; a sua relação com o território que ocupa; os aspectos jurídicos que envolvem a questão e a perspectiva de organização regional e estadual para as lutas quilombolas.

A perspectiva do auto-reconhecimento e da formação da identidade coletiva, ponto inicial para qualquer iniciativa das/os quilombolas no sentido de travar a luta pelos seus direitos, ganha uma relevância ainda maior com o novo decreto sancionado no governo Lula, que estabelece o auto-reconhecimento como critério para a identificação dos Quilombos. Neste sentido, foi elaborado um interessante trabalho pelo Professor Nivaldo, do Departamento de História da UNEB, que rememorou toda a história do povo negro no Brasil – desde a escravidão às formas de resistência e contribuições culturais, sociais e políticas – e sua relação com a própria formação dos quilombos, desmistificando uma serie de informações que eram tidas como verdades, mas que foram argumentos construídos para a deslegitimação da luta negra no Brasil.

Objetivando pautar a atual política de reconhecimento como reflexo de uma dívida histórica e social que tem o Estado para com as comunidades negras rurais, onde ainda se tem muito a avançar, foi construída toda uma cronologia da legislação brasileira – de 1500 até os dias atuais - buscando enfatizar os diversos atos oficiais que decretaram a marginalização da/o negra/o no país. Passando por atos que ordenaram a devastação do continente africano, penas atrozes para escravos fugidos, proibição de freqüentar escolas, definição de manifestações culturais como a capoeira e o candomblé como crimes, expulsão da/os negra/os das terras que ocupavam, à definição histórica de quilombos e ao processo de discussão na Constituinte de 88 sobre a redação do art.68 do ADCT, que fala em “remanescentes de comunidades quilombolas”, tudo isso contribuiu para desvendar as várias tentativas de manipulação dos direitos num Estado historicamente racista. Na discussão sobre o alcance do art.68, foi enfatizada a importância de se ressignificar o conceito de quilombos à luz da dinâmica histórica das próprias comunidades e seu processo de afirmação diante dos outros grupos sociais, e que só pode legitimamente ser construído pelo próprio povo quilombola. Daí a grande conquista que representa o novo decreto 3912/01, que estabelece o auto-reconhecimento como forma de identificação da comunidade quilombola.

Coube ainda uma reflexão crítica sobre as políticas do atual governo em relação às comunidades quilombolas. Em termos da regularização, desde o inicio do governo Lula, somente 2 comunidades quilombolas foram tituladas. A análise orçamentária dos programas governamentais apontam uma atuação limitada e pontual. Até junho de 2005, dos 14 milhões destinados à titulação de terras quilombolas, somente 8% havia sido utilizado, sendo que, em 2004, nem um centavo dos 11 milhões destinados a este programa foi utilizado.

O fechamento dos dois dias de formação, tanto em Senhor do Bonfim como em Vitória da Conquista e Xique-Xique, deu-se com a organização de um calendário de eventos e com a perspectiva de uma articulação regional e estadual que fortaleça a luta quilombola.

Organização Quilombola na Bahia

“Gangazumba começou
Zumbi dos Palmares assumiu
E a nossa luta continua
Nos Quilombos do Brasil”

Canto da comunidade de Nova Batalhinha, por Severo Borges.

As comunidades quilombolas da Bahia em conjunto com as entidades de apoio realizaram, nos dias 28 e 29 de setembro, o I Encontro do Comitê Quilombola da Bahia em Ação. Compreendendo a importância do evento, a AATR colaborou com a sua construção em diversas reuniões preliminares, na realização em si e na sistematização do relatório, que se traduziu como uma pauta inicial de reivindicações dos quilombolas.

O encontro foi fruto de discussões travadas regionalmente entre as\os quilombolas, que, na medida do reconhecimento de suas demandas, sentiram a necessidade de um espaço de organização e discussão de estratégias no âmbito estadual. O que se pode concluir no encontro foi que há uma identidade de demandas entre as comunidades quilombolas do estado da Bahia, que vão desde a titulação das terras, processo que vem sendo feito de maneira bastante lenta e pontual pelo Estado, sem a organização de uma política permanente e planejada, passando por carências graves em relação à infra-estrutura e educação, e atingindo os mais diversos direitos fundamentais.

O Comitê Quilombola da Bahia em Ação apresentou a pauta de reivindicações unificada para todas as comunidades do Estado ao governo no dia 30 de setembro, numa reunião na SECOMP – Secretaria de Combate a Pobreza, onde se pretendeu criar um comitê interinstitucional, Estado e Sociedade Civil, para a solução das demanda quilombolas. A reunião com o governo contou com a presença de representantes de diversas secretarias do Estado que, embora tenham admitido não haver qualquer política específica no âmbito estadual para contemplar as mais de 400 comunidades no Estado, comprometeram-se a priorizá-las na implementação nos programas já existentes.

A tentativa de adaptar políticas públicas já existentes para as comunidades remanescentes de quilombos, jogando-as numa “vala comum”, representa uma grande violência àquelas, uma vez que o que as faz quilombolas é, exatamente, a especificidade de sua história, de sua cultura e seus costumes.

Haverá outros encontros do Comitê Quilombola, nos quais pretende-se continuar as discussões para a inclusão específica das demandas quilombolas na lei orçamentária estadual. Para além das políticas públicas, o Comitê mantém seu caráter de espaço estratégico para articulação das lutas quilombolas da Bahia.

Violência contra Quilombolas

No dia 08 de setembro, uma liderança quilombola da comunidade de Piranhas, situada no município de Bom Jesus da Lapa, sofreu um atentado enquanto saia de casa para a sede do município. Cláudio Pereira da Silva, presidente da Associação Comunitária de Piranhas, foi surpreendido por três indivíduos armados, que atiraram contra ele, só conseguindo escapar porque estava de motocicleta.

A gravidade do conflito alcançou níveis insustentáveis. Em junho de 2005, A comunidade viu-se próxima a sua completa dizimação ao ser ameaçada por pistoleiros de fazendeiros locais que chegaram no local com galões de combustível para destruí-lo, sem deixar vestígios.

O conflito em Piranhas envolve a disputa pelas terras historicamente ocupadas pela comunidade quilombola, que sobrevivem há trezentos anos na região. Contudo, a terra, que fica próxima a lagoa de Piranhas, da qual as\os quilombolas retiravam os recursos necessários para a sua subsistência, foi invadida por fazendeiro da região com o intuito de mercantilizá-la, transformando o local em ponto de turismo ecológico.

A questão de Piranhas assume diversas dimensões, devido à estrutura fundiária desigual e à ideologia fetichista do agronegócio, que vêm sendo origem de diversos outros conflitos no país. A primeira é a questão fundiária em si, na qual os fazendeiros não aceitam as comunidades quilombolas como proprietárias das terras que historicamente ocupam, uma vez que isto representa, para o sistema capitalista, uma grande perda, já que as terras das comunidades remanescentes de quilombos não estarão mais no mercado. Esta questão fica potencializada quando se estima que 5% das terras nacionais sejam territórios quilombolas!

A segunda dimensão é a ambiental. As comunidades quilombolas vivem de forma harmônica com o meio ambiente nos seus territórios, enquanto que a ideologia do agronegócio busca explorar a terra, retirando o máximo dela, para que se obtenha o lucro. No caso de Piranhas, o turismo, dito ecológico, é somente uma fachada para obtenção de lucros, sem qualquer cautela em relação à questão ambiental. Portanto, o conflito pela terra passa a assumir um caráter ideológico ainda mais acentuado, uma vez que abarca também a forma de uso desta.

Trata-se ainda de uma dimensão cultural e social, uma vez que o que está em questão é própria sobrevivência da comunidade. São uma serie de tradições e costumes, bem como a própria sobrevivência de pessoas que estão sendo relegados a segundo plano.

A comunidade já denunciou esses fatos a diversos órgãos públicos, como IBAMA, Fundação Palmares, Ministério da Justiça, Incra, Procuradoria da República, entre outros.. Infelizmente, a postura do Ministério Público Federal tem sido a de protelar ao máximo a solução da questão, negando-se por diversas vezes a receber advogada/os da AATR que acompanham a questão, bem como alegando incompetência para atuar e repassando o caso para o MP estadual. Demonstração evidente da falta de preocupação e conhecimento das instituições públicas em relação à questão quilombola.

No dia 30 de setembro, foi ainda realizada uma audiência pública em Piranhas com a presença dos diversos órgãos governamentais para discutir a situação. Desta Audiência saíram diversos compromissos, dentre os quais: a promessa de proteção aos quilombolas pela Polícia Federal, agilização da demarcação do território pelo INCRA e embargo do funcionamento do bar que polui a Lagoa.

Quilombolas e assessores são ameaçados por fazendeiro

A violência e arrogância dos latifundiários para intimidar a luta quilombola não tem limites e chega a acontecer mesmo em frente aos órgãos judiciais, como ocorreu em plena audiência de conciliação em que assessores da CPT e AATR acompanhavam o quilombola José Pereira Vilassa (da comunidade de Parateca e Pau D’arco) para apurar denúncia oferecida contra o fazendeiro Fernando Bastos.

Mesmo tendo assumido a responsabilidade pelas ameaças no acordo realizado, ao fim da audiência, ainda próximo ao Fórum de Malhada, o fazendeiro aproximou-se da vítima quilombola e dos representantes da AATR e CPT, de forma repentina, como quem estivesse a espreita, e proferiu uma série de ameaças como: “vocês estão marcados”, “acertaremos as contas”, “vocês vão pagar”, “vocês são conhecidos na região”, além de outras palavras ofensivas a exemplo de “agitadores” e “vagabundos”.

As ameaças foram denunciadas ao Ministério Público e à Delegacia de Polícia prontamente. Aguarda-se um posicionamento mais enérgico dessas autoridades no sentido de coibir a postura violenta do fazendeiro, reiterada sistematicamente.

Imunidade de Iptu dos Terreiros de Candomblé

A constituição garante o direito à imunidade do pagamento do IPTU às instituições de caráter religioso. Este direito, contudo, não é garantido aos terreiros de candomblé. A negação deste direito é fruto de um processo histórico de preconceito racial que sempre foi apoiado pelo Estado Brasileiro.

Apesar do inegável caráter religioso dos terreiros de candomblé, não existe sequer um terreiro em todo o país que tenha o direito da imunidade reconhecido. Os recursos utilizados pelo Estado para negar este direito vão desde a proclamação de sua incapacidade de reconhecer um terreiro até a imposição de diversos trâmites burocráticos como a necessidade de inscrição no Cadastro Geral de Atividades – CGA.

A fim de combater o desrespeito do Estado com as manifestações religiosas do povo negro, a AATR em articulação com o Koinonia, preparou uma representação que foi entregue ao Ministério Público Estadual a fim de conseguir iniciar um processo amplo de discussão da questão e alcançar soluções para esta manifestação de intolerância religiosa por parte do Estado. A representação - assinada por nove terreiros de candomblé - tinha como pedido, além da imunidade do IPTU, a realização de uma audiência pública, na qual fosse possível que os terreiros manifestassem suas propostas a solução dos entraves impostos pelo Estado na garantia do direito, ampliando a discussão que em parte já tem sido feita em algumas secretárias estatais nas quais há comprometimento com a questão racial.

Quilombos Urbanos

A AATR participou nos dias 19 e 20 de Setembro do Seminário sobre Quilombos Urbanos realizado em Salvador. Além de tratar da questão quilombola focando sua perspectiva urbana, muitas vezes esquecida pelo mito criado em torno do conceito de quilombos - como sendo um lugar rural, distante e isolado -, o seminário foi a oportunidade de apresentação da proposta da Prefeitura Municipal de Salvador para a regularização dos quilombos urbanos, destacando-se inclusive a situação dos terreiros de Candomblé. Na oportunidade foi lançado um plano piloto para reconhecimento da comunidade do Engenho Velho da Federação como um quilombo urbano, dada a emblemática presença de terreiros no local.

O primeiro reconhecimento de um quilombo urbano foi feito no dia 18 de dezembro de 2005 pela portaria do Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. O quilombo Família Silva localiza-se em Porto Alegre e constitui-se num precedente de relevância para a luta das\os quilombolas.


topo


DIREITOS HUMANOS

Relator contra o racismo encontra com Comunidades Quilombolas

O relator especial das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância, Doudou Diène, esteve em Salvador entre os dias 19 e 21 de outubro para colher dados sobre a discriminação racial, ouvir autoridades, entidades negras, comunidades quilombolas e organizações não-governamentais. Num encontro específico com representantes de comunidades quilombolas da Bahia, onde a AATR também entregou um dossiê de violações, o relator ouviu denúncias sobre ameaças e intimidações contra quilombolas no Estado, a falta de atuação das instituições, a lentidão no processo de reconhecimento dos territórios e a ausência de políticas públicas específicas voltadas para essas comunidades. Diène disse estar “chocado” com a forte correlação entre racismo, violência e pobreza no país. “O Brasil vive dois mundos. Tem o mundo da rua, multicultural, vibrante e multirracial, que é a imagem que temos do país no exterior. Mas no que se refere às estruturas de poder, político, econômico, social e midiático, o país é diferente, caracterizado pela ausência das comunidades afro-descendentes e indígenas”, declarou, conforme relato do jornal O Globo.

AATR denuncia violações contra defensores de Direitos Humanos à ONU

A AATR, num processo de articulação conjunta com várias entidades e movimentos (MNDH, FEMDH, ABONG, FCCV, Campanha Reaja, índios pataxós e kiriris, ANAÌ, Movimento 11 de Dezembro, CPT regional e Bonfim, comunidades quilombolas e extrativistas de Bom Jesus da Lapa, IRPAA), contribuiu significativamente na organização e acompanhamento da visita da Representante Especial da ONU para a situação dos Defensores e Direitos Humanos, a Sra Hina Jilani, à Bahia, entre os dias 10 e 11 de dezembro de 2005. Várias denúncias foram realizadas e entregues em forma de dossiê, a exemplo das violações contra lideranças de comunidades quilombolas no oeste da Bahia, contra a atuação de advogadas/os populares e de militantes que combatem a discriminação racial e a homofobia, contra lideranças indígenas na luta pela demarcação de suas terras e contra defensores que denunciaram a violência policial e existência de grupos de extermínio no estado.

Ao final de sua visita ao Brasil, a sra Hina Jilani assinalou sua grande preocupação com a crescente criminalização de defensores e movimentos sociais, recomendando que a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o Ministério Público façam um esforço conjunto para reunir informações sobre processos contra defensores de direitos humanos e movimentos sociais, analise essas informações e adote diretrizes apropriadas para garantir que a ação social não seja criminalizada. “O Judiciário, por exemplo, e o sistema de justiça criminal ainda não se ajustaram à realidade de que os direitos sociais e econômicos não podem ser obtidos se não houver uma distinção muito clara entre as ações legítimas que buscam o cumprimento desses direitos e a ação criminal. A ação pública para resistir, por exemplo, à privação de direitos, os protestos, isso tudo faz parte das ações sociais.” Destacando ainda que a propriedade é mais protegida do que o direito a ter terra no Brasil, a Representante afirmou a legitimidade das ocupações na luta pela reforma agrária; “Acredito que a ação social pacífica, mesmo quando ela é de resistência, é legítima. E deve ser protegida. Por exemplo, se há uma resistência pacífica às expulsões, no contexto das políticas sociais e da Constituição do Brasil, ela não pode ser considerada ilegítima. Neste país, não. E isso é uma preocupação minha.Porque a Constituição brasileira reconhece esse direito. Você não pode reconhecer um direito e não garantir que as pessoas realmente tenham esse direito.”

Entre março e abril a Representante da ONU deverá apresentar em Genebra, na Suíça, seu relatório sobre a missão ao Brasil, incluindo suas recomendações ao governo brasileiro.

topo


RAPIDINHAS

- A AATR participou da Assembléia do CETA de dezembro. A parceria da AATR com o CETA envolve uma serie de atividades tanto judiciais como de formação. Em novembro junto com outras entidades como CPT, CEAS e CJP foi realizada uma formação com o movimento sobre a relação entre estado e sociedade Civil. Foram também realizadas diversas oficinas em algumas regiões buscando atualizar com o novo código civil os estatutos das associações que compõem o movimento.

- A igreja Universal do Reino de Deus entrou com Embargos de Declaração da decisão que confirmou a condenação do juízo de primeiro grau a indenizar a família de Mãe Gilda e publicar a referida sentença na capa de seu periódico, por duas sessões seguidas. O Tribunal primeiramente não conheceu os Embargos, afirmando serem intempestivos, contudo reconheceu ter se equivocado uma vez que a parte teria direito ao prazo dobrado, haja vista que trata-se de dois advogados represantando a Igreja Universal e a Editor.

topo

Voltar