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Assembléia da AATR
Manifesto público dos Trabalhadores
Rurais
Transposição
(ainda) não!
Morte
de Quilombola em Malhada
Seminário Brasil Quilombola
Finalizadas
as eleições para a recomposição do Comitê
da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco
Novas estagiárias na AATR
Reta final da Campanha Quem não
deve não teme
Trabalho escravo
Tribunal
confirma condenação no caso Mãe Gilda
Rapidinhas
Créditos
Notícias
da AATR
Boletim
Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais
no Estado da Bahia Abril/Maio/Junho de 2005 - Nº 24
Assembléia
da AATR
No
dia 23 de março, reuniram-se em Assembléia Geral Ordinária
os associados da AATR. Durante a Assembléia foram aprovadas
algumas diretrizes para aproxima gestão, dentre elas a reafirmação
da autonomia da AATR. A promotora Cleide Ramos e as associadas Maria
de Fátima Melo e Vera Regina Trindade receberam Moção
de Aplauso. A primeira pelo trabalho desenvolvido no Ministério
Público e as segundas pela atuação frente à
arbitrariedade de uma série de atos empreendidos pelo juiz
da Comarca de Coribe quando as advogadas patrocinavam causas de
posseiros.
A nova
diretoria foi eleita: Cláudio, presidente; João Régis
Neto, vice; Gil Nunesmaia, tesoureiro; Sara Côrtes, secretária;
Maurício Araújo, suplente da secretaria; Ana Cacilda
Reis, suplente do tesoureiro; conselho fiscal: Maria de Fátima,
Marlete Carvalho Sampaio e Marilza Nascimento.Ficou também
definida a equipe técnica que tocará o projeto da
AATR no próximo período: Isac Tolentino, Juliana Barros,
Sara Côrtes, Cláudio Rocha e Ana Cacilda Reis. Alessandra
Queiroz, Gilsele, André Santos e Elga Almeida são
as novas/os associadas/os da AATR.
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MANIFESTO
PÚBLICO DOS TRABALHADORES RURAIS
Há
muito tempo que em nosso município a ganância de
alguns poucos tem prevalecido gerando a fome, a miséria
e a violência, comprometendo milhares de pessoas que vivem
da terra. Há muito tempo também, há inúmeras
pessoas que trabalham e lutam com os trabalhadores e trabalhadoras
por melhores dias. Essas, no entanto, ganham como resposta dos
poderes constituídos, a sua criminalização
e dos movimentos populares, sendo a falta de terra e a luta
por ela tratada como caso de polícia.
Nelson
de Jesus Lopes (conhecido como Nelson Mandela), diretor da Escola
Família Agrícola do Sertão e assessor das comunidades
rurais da região de Monte Santo - Ba, foi preso em 17/06/2005
no município de Senhor do Bonfim. A prisão tem como
pano de fundo questões políticas determinadas pela
intensa atuação de Nelson nos movimentos socais da
localidade. Uma enxurrada de processos criminais foi movida contra
o militante, o que representa verdadeira perseguição
institucional a trabalhadores e assessores dos movimentos sociais,
patrocinada por grupos de fazendeiros com a colaboração
do Poder Público. Monte Santo fica no sertão da Bahia
e tem um contexto agrário conflituoso, o que se explica pela
absurda concentração de terras local nas mãos
de uma pequena e violenta oligarquia latifundiária.
O desdobramento
da injusta prisão foi a mobilização de mais
de 500 trabalhadores rurais em frente ao Fórum da Comarca
de Monte Santo e de ONG´s, movimentos sociais e órgãos
do poder público, o que determinou a revogação,
pela juíza, do decreto prisional não só de
Nelson, como de outros 05 (cinco) trabalhadores. A AATR acompanha
os processos criminais movidos contra Nelson e também esteve
presente nesta oportunidade, além de advogados de Itiúba,
Juazeiro e da CPT Comissão Pastoral da Terra.
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TRANSPOSIÇÃO
(AINDA) NÃO!
Decisão
do STJ mantém proibição de execução
das obras do Projeto de Transposição do São
Francisco.
Mais
uma vitória emblemática na luta contra a transposição.
Em 23 de junho, o Superior Tribunal de Justiça negou o pedido
de suspensão de segurança da proibição
de execução de obras feito pela União. Mais
uma vez eles terão que aguardar (talvez, muito mais do que
imaginam)... O ministro Edson Vidigal ratificou o entendimento do
Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que havia limitado
a atuação da União a atos que não implicassem
em execução de obras do Projeto da Transposição.
O ministro
Vidigal destacou que o assunto requer cautela e exige responsabilidade
e imenso conhecimento técnico para sua solução,
"notadamente porque envolve profundas transformações
na natureza e no curso de um dos maiores, mais importantes e belos
rios brasileiros". Entende que as decisões foram prudentes,
não havendo razões para suspendê-las. "A
necessidade de implementação de políticas públicas
com vistas à redução da pobreza e das desigualdades
sociais instaladas na região do semi-árido não
se sobrepõe à obrigação que o Poder
Público tem de preservar o meio ambiente e a legislação
que o protege", afirma.
Mesmo
impedido de executar as obras, o governo federal publicizou o início
das mesmas para o mês de abril, criando falsas expectativas.
O Judiciário felizmente não voltou atrás, mantendo
a decisão e cumprindo o seu papel.No final das contas, mais
uma vitória da sociedade civil no embate à transposição!!
Entenda
o que está acontecendo no Judiciário...
Tudo
começou com a suspensão total do projeto (1. do procedimento
de licenciamento ambiental; 2. das audiências públicas;
3. de qualquer procedimento de contratação, através
de licitações ou qualquer outro meio, que objetive
a implementação do Projeto de Integração
do Rio São Francisco com as Bacias Setentrionais) imposta
por liminar concedida pela 14ª Vara Federal da Bahia, atendendo
a requerimento da Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais no Estado da Bahia (AATR); do Grupo Ambientalista da Bahia
(Gambá); do Instituto Ambiental da Bahia (Iamba); da Associação
Movimento Paulo Jackson Ética, Justiça e Cidadania;
do Centro de Estudos Sócio-ambientais (Pangea) e da seccional
baiana da Ordem dos Advogados do Brasil.
Dessa
decisão a União recorreu, através de Suspensão
de Segurança, ao TRF, alegando que sua manutenção
traria sérios riscos de lesão à ordem e economia
públicas. Em decisão surpreendente, o
presidente interino do TRF, no dia 24/12/2004 (natal?!), suspendeu
a dita liminar. Manteve, todavia, a proibição de execução
de obras. Foi desta última assertiva que a União recorreu,
e perdeu, ao STJ.
O teor
da liminar, entretanto, não está perdido. Estamos
aguardando o julgamento do Agravo Regimental interposto pela AATR
e demais que pretende recuperar a força da liminar. As expectativas
são grandes...
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MORTE
DE QUILOMBOLA EM MALHADA
A
comunidade quilombola foi surpreendida com uma triste notícia
no dia 15 de abril deste ano. O quilombola Alvino Mendes de Almeida
foi brutalmente baleado com um tiro na cabeça na Fazenda
Santa Tereza, de propriedade do Sr. Fernando Bastos. O autor do
disparo é o gerente da fazenda citada, Sr. José Benedito
de Oliveira, conhecido como Sussu.
Há
sérios indícios que o crime esteja relacionado à
conjuntura violenta que marca as disputas pela posse das terras
de Malhada entre uma família tradicional de latifundiários
da região e os trabalhadores rurais quilombolas dos quilombos
Parateca e Pau DArco e, muito embora toda a comunidade
sugira que motivos outros há para o cometimento do crime,
a autoridade policial insiste em dizer que tudo não
passou de um acidente. Ressalte-se que apesar de as circunstâncias
que antecedem o fato e as reiteradas ameaças, atos de agressão
e truculência de que são alvo rotineiramente os quilombolas
daquela região tornarem o caso merecedor de uma cuidadosa
e acurada investigação, as autoridades locais não
atribuíram a atenção devida ao deslinde do
crime e parecem desconsiderar a provável relação
acima apontada.
A equipe
da AATR fez visita à região e colheu informações
da comunidade que definiram encaminhamentos, alguns dos quais já
foram realizados. Ofícios foram enviados a autoridades para
que tomem conhecimento da gravidade da situação. O
INCRA que definiu os quilombos de Parateca e Pau DArco
como prioritários para efeito de regularização
fundiária - e a Ouvidoria Agrária já tomaram
conhecimento do crime.
O Ministério
Público Estadual já ofereceu denúncia, classificando
o crime como de homicídio culposo em concurso material com
porte ilegal de armas. O próximo passo é avaliar a
possibilidade de a AATR atuar como assistente de denúncia
e garantir o bom andamento da Ação Penal.
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SEMINÁRIO BRASIL QUILOMBOLA
Aconteceu,
nos dias 13 e 14 de junho, o I Encontro de Comunidades Quilombolas
do estado da Bahia em paralelo ao Lançamento do Programa
Brasil Quilombola. O espaço reuniu aproximadamente 250 comunidades
remanescentes de quilombos do estado Parateca e Pau DArco,
Barra, Bananal, Riacho de Sacutiaba e Sacutiaba, Tijuaçu,
Jatobá, Mangual, Dendê, Boqueirão, dentre outras
- para discutir as questões políticas e os problemas
estruturais mais urgentes das comunidades.
As
comunidades puderam trocar experiências e debater a questão
quilombola nas oficinas: Legislação Fundiária
nos Quilombos; Cultura Quilombola; Desenvolvimento Produtivo; Saúde;
Educação; Estrutura e Funcionamento do Estado; Diretrizes
de Política Agrária e Religiosidade.
Na
oportunidade, ainda, foi lançado o Programa Brasil Quilombola.
Coordenado pela Secretaria Especial de Política para Promoção
da Igualdade Racial SEPPIR, o programa tem o propósito
efetivar o decreto 4.887 de 2003 que regulamentou o procedimento
para identificação, reconhecimento, demarcação
e titulação das terras habitadas por comunidades remanescente
de quilombos. Para além da questão agrária,
foi discutida a necessidade de implementação de políticas
públicas nas comunidades. De pronto, foi garantido o investimento
de 30 milhões do Ministério das Cidades para a construção
de mil unidades habitacionais na Bahia, além de recursos
para a implantação de abastecimento de água,
unidades sanitárias e ampliação do Programa
de Luz para Todos, que levará energia para as comunidades.
Além
de entidades do Governo Federal (SEPPIR, Fundação
Cultural Palmares, Ministério das Cidades e o INCRA) e Estadual
(SECOMP, SEAGRI, SECTI), que abriram o evento, entidades da sociedade
civil que trabalham com a questão quilombola também
participaram do evento como a AATR, CJP, MNU, dentre outras.
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FINALIZADAS
AS ELEIÇÕES PARA A RECOMPOSIÇÃO DO COMITÊ
DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO FRANCISCO
Já
podemos conhecer a nova composição do comitê
da bacia do Velho Chico. O clima de final de eleição
foi festivo e as esperanças de defesa de um dos maiores rios
nacionais renovadas.
O comitê
tem, em sua composição, 120 membros, sendo 60 titulares
e 60 suplentes, distribuídos entre os segmentos Poder Público
(33,33 % das vagas), Usuários de Água (40 % das vagas)
e Entidades Civis de Recursos Hídricos (26,66 % das vagas).
Representam a Bahia no Comitê no Segmento Sociedade Civil
Edison (FUNDIFRAN) e Domingos (SINTAGRO), Prof. Yvonildes (UFBA),
Brás (UNEB) e Hugo Pereira (UAVS) e Amélio Costa (AMAVALE).
Muito trabalho pela frente!
O processo
eleitoral permitiu avaliar a composição do comitê.
O número de representantes dos povos indígenas, de
apenas 01 (um) para toda a bacia, é considerado injusto e
desproporcional. Provavelmente será objeto de mudança
com a esperada reforma do regimento interno do comitê.
Destaque-se
que o número de mulheres que compõem o comitê
aumentou consideravelmente.
Conheça
a nova composição do comitê em http://www.cbhsaofrancisco.org.br
!
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Novas estagiárias da AATR
A
AATR ampliou o seu quadro de estagiári@s. Após
um dos mais árduos processos de seleção, que
contou com a inscrição de mais de cinqüenta candidatos,
temos mais três estudantes de direito compondo o programa
de estágio: Ana Lia Almeida (UFBA), Emília Teixeira
(UFBA) e Vitória Nicolau (Faculdades Jorge Amado).
A atuação
da AATR em diversas frentes jurídico-sociais vem tendo,
como um dos reflexos, a busca crescente de estudantes com intuito
de conhecer mais de perto a entidade sendo que, grande parte pleiteia
o programa de estágio por se identificarem com o projeto
que a mesma desenvolve. Isso denota e reforça a responsabilidade
que a AATR possui na formação de novos quadros,
haja vista a proximidade que vem tendo com o ambiente acadêmico
e o público estudantil.
Desejamos
sorte às novas companheiras nessa nova jornada!
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Reta final da Campanha Quem não deve não teme
A Campanha
Quem não deve não teme está chegando
à sua reta final. Após três meses de intenso
envolvimento, podemos iniciar a colheita dos frutos que começaram
a brotar. Através das viagens, articulações,
registros, denúncias e, sobretudo, aprendizagem durante o
curso desse processo, nos enchemos de cara, coragem e persistência
para o embate com nossas heranças coronelistas. Se não
fomos vitoriosos a todos os instantes, certamente chegamos ao dia
15 de junho - marco simbólico do final da Campanha - mais
fortes e corajosos. Agora está colocado o momento de arrumarmos
nossas denúncias, levá-las às instituições,
ao judiciário, à imprensa, mas, acima de tudo, levá-las
a nós mesmos, no exercício da troca de experiências.
O saldo
dessa Campanha que certamente fez muito gestor temer o que deve
foi extremamente positivo. Positivo pelo alcance que tomou e pelas
pessoas que conseguiu atingir. Tanto aqueles que já lutavam
pela garantia desse direito e exerciam com toda a coragem a fiscalização
em seus municípios, mesmo em meio a tantas adversidades,
mas também pelos que mudaram sua forma de pensar a participação
popular, se engajando nesse processo. São a esses verdadeiros
cidadãos e cidadãs que se deve mais essa conquista.
Servidor
público sem identificação agredindo cidadãos
e cidadãs, pastas espalhadas pelo chão, rasuras e
marcas de corretivo nos documentos, veneno de combate a traças
nas prestações de contas e fotografias apreendidas,
caos em Prefeitura que destruiu todos os arquivos de sua gestão.
Esse foi o cenário enfrentado por aqueles que quiseram fazer
valer seu direito de exercer a cidadania ativa. Mas, apesar de toda
sorte de dificuldades, a maioria deles conseguiu ter o acesso, valendo-se,
muitas vezes, da intervenção do Ministério
Público, parceiro na Campanha. Dificuldades que foram superadas,
sobretudo através da união, deixando de escanteio
o medo das ameaças e perseguições.
Em
todos os municípios que foram alvo da fiscalização
popular, encontraram-se irregularidades, das mais sutis às
mais absurdas. Dentre tantas, podemos citar os desvios escancarados:
das verbas do Fundef, onde se gastou com frango, peixe e carne que
nunca compuseram a merenda escolar; a construção de
um belo Cristo de 1 milhão de reais enquanto faltava atendimento
médico; as inúmeras contratações com
empresas fantasmas e o uso de laranjas nesses contratos;
a total ausência de processo licitatório nas compras
e prestações de serviço; o favorecimento sem
medida dos familiares dos prefeitos, enfim, as mais abjetas formas
de improbidade que um gestor pode cometer.
E por
aí vamos, deparando-nos com autoridades que alegam ser difícil
conversar com analfabetos, que se retiram de um encontro da sociedade
civil por não se tratar de uma reunião oficial,
que só permitem acesso às contas na presença
de advogado, que andam cercados de capangas armados, olhando-nos
de cima a baixo ou que dizem que na Constituição não
tem nada desse direito não... Essas são apenas algumas
"pérolas" cinzentas de nossa democracia!
Certamente,
podemos considerar atingida muitas das metas auferidas pela Campanha,
principalmente a ampliação do nível de conhecimento
das(os) cidadãs(ãos) sobre a dinâmica do controle
social do poder público, os mecanismos de denúncia
e fortalecimento da participação cidadã, assegurando
o compromisso das lideranças com a mobilização
da comunidade.
O mais
importante, e que jamais deve ser perdido de vista é o contínuo
exercício da cidadania ativa por cada um daqueles que estiveram
de olho nas contas de seus municípios, afinal, somente quem
vive na comunidade local é que pode questionar com maior
fundamento o que acontece no seu município. O objetivo da
Campanha Quem não deve não teme se sobrepõe
aos resultados encontrados a partir da fiscalização.
Espera-se, com esse tipo de iniciativa, que a população
comece a ocupar o espaço que lhe cabe na gestão da
coisa pública.
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Trabalho Escravo
As
juízas do trabalho Alice Maria Santos Braga e Hineuma Márcia
Cavalcanti Hage, da Vara do Trabalho de Barreiras, município
da Região Oeste do Estado da Bahia, em reclamações
trabalhistas ajuizadas por vítimas de trabalho análogo
à escravo, assessoradas pela Associação
de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR)
e pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais de São Desidério
(STR), concederam os pedidos de indenização por danos
morais contra a empresa Roda Velha e Eustáquio da Silveira
Vargas, proprietário da Fazenda Laranjeira, por submeterem
empregados/as a trabalho análogo à escravidão.
Em
sentença de 21 de janeiro de 2005, a juíza Alice Maria
Santos Braga condenou o gato José Leite Filho
e, subsidiariamente, a empresa Roda Velha Agro-industrial a pagar
indenização compensatória por dano moral, no
montante de metade do piso normativo por dia de duração
do vínculo empregatício, totalizando R$ 5.400,00;
aviso prévio, gratificação natalina, férias
proporcionais, FGTS e multa de 40%; salários retidos de todo
o vínculo; indenização compensatória,
na razão de meio quinto salário mínimo legal,
pelo não cadastramento no PIS; e anotações
na carteira profissional.
A juíza
Hineuma Márcia Cavalcanti Hage, em 29 de março de
2005, condenou Eustáquio da Silveira Vargas, proprietário
da Fazenda Laranjeira, em danos morais no montante do piso normativo
por dia de duração do vínculo empregatício,
totalizando R$ 10.800,00; deferindo-se, ainda, a verba honorária
em favor do sindicato assistente, no percentual de 15% sobre o valor
da condenação.
As
condenações representam importantes passos para o
trabalho de prevenção e erradicação
do trabalho escravo na Bahia. Em primeiro lugar, ela significa o
reconhecimento jurídico-estatal da presença dessa
chaga em nossas plagas. Em segundo lugar, reconhece os direitos
e os danos morais atinentes às próprias vítimas,
ressarcindo-os de alguma forma pelo que os mesmos suportaram, inserindo-os
num contexto e luta por direitos, recuperação da auto-estima
e cidadania. Por outro lado, demonstra a falta de estrutura/vontade
do Estado, também no campo da assistência jurídica,
para atender a demandas individuais dessa natureza, com forte dimensão
transindividual.
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TRIBUNAL CONFIRMA CONDENAÇÃO NO CASO MÃE
GILDA
O
Tribunal de Justiça da Bahia, no dia 06 de Julho de 2005,
confirmou a condenação da Igreja Universal do Reino
de Deus à indenização por danos morais para
a família de Mãe Gilda, cuja foto foi estampada no
Jornal Folha Universal em matéria extremamente desrespeitosa
às religiões de matriz afro.
A
sessão de julgamento estava lotada e emocionou os presentes:
familiares e amigos de Mãe Gilda, militantes dos movimentos
sociais, estudantes, jornalistas e demais pessoas interessadas no
caso emblemático. As portas do Tribunal abriram-se para o
povo de santo, que, ao final, entoou um canto para Xangô na
voz de Jaciara filha da ialorixá Mãe Gilda
- na frente do prédio.
Foi
ressaltado no julgamento que o caso não se tratava de uma
simples ação indenizatória, mas que os interesses
envolvidos diziam respeito a todo o povo de santo, bem como a toda
a sociedade, uma vez que a atitude da Igreja Universal foi um grande
desrespeito aos direitos culturais da população afro-descendente
e à liberdade de crença em geral.
O
Tribunal foi unânime pela manutenção da sentença
do juiz de 1° grau: obrigação da IURD de publicar
a sentença na capa do seu jornal por duas edições
seguidas e o pagamento da indenização, cujo valor
foi reduzido de R$1.372.000 para R$960.000, acrescida a correção
monetária e os 20% de honorários.
Apesar
das possibilidades de recurso não estarem esgotadas, este
julgamento pode ser considerado uma grande conquista, já
que confirmou uma atitude incisiva do Poder Judiciário na
luta contra a intolerância religiosa. A decisão é
de máxima relevância para o combate às discriminações
sofridas historicamente pelo povo de santo, pois demonstra que posturas
de intolerância que se tornam obstáculos concretos
à liberdade do exercício da fé não podem
mais ser admitidas em nosso país.
A AATR
agradece a todas as companheiras, companheiros e entidades que colaboraram
na mobilização, enviando fax e e-mails para o Tribunal
de Justiça da Bahia e provocando o debate em torno do caso.
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Rapidinhas
Políticas Públicas
- Nos dias 08, 09 e 10 de julho aconteceu a 2ª etapa da turma
de Políticas Públicas em Alagoinhas. A mesma etapa
será realizada em Barreiras nos dias 15, 16 e 17 de julho.
A temática, desta vez, será Conselhos.
Seminário Terras Públicas O segundo momento
do seminário, desdobramento dos primeiros encontros nas regiões,
ocorrerá em Ilhéus nos dias 16 e 17 de julho, promovido
pela FASE-Ba.
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Créditos:
Textos:
Equipe de Estagiários da AATR Ana Lia Almeida, Clarissa
Navarro, Gabriella Barbosa, Isac Tolentino, Kênia Silva e
Vitória Nicolau.
Contatos:
Sítio www.aatr.org.br
E-mail:
aatrba@terra.com.br
Tel:
(71) 3329-7393
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