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Editorial
Porém há aqueles que lutam
toda a vida; esses são os imprescindíveis
Homenagem ao Professor Elenaldo Teixeira
Programa
de combate ao trabalho escravo
Programa Juristas Leig@s
Programa Políticas Públicas
Programa de Direitos Humanos
Programa de Comunidades Remanescentes
de Quilombos
Para
os que virão
Rapidinhas
Créditos
Notícias
da AATR
Boletim
Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais
no Estado da Bahia Janeiro de 2005 - Nº 22
Editorial
A
AATR Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais firmou este ano sua atuação frente ao Poder
Judiciário, acreditando que este poder da república
brasileira foi o que menos se democratizou. Um espaço que,
segundo pesquisa recente, foi considerado misterioso
pela maioria da população. Este boletim, além
de trazer notícias dos programas de formação
da AATR-BA que confirmam sua crença na socialização
do saber jurídico como estratégia de emancipação
dos cidadãos e organizações populares, dará
ênfase às conquistas e derrotas do movimento popular
nas suas demandas frente ao judiciário.
Mais
que em qualquer outra época, os juizes e a magistratura em
geral e também o Judiciário como instituição
se acham cada vez mais presentes e com mais centralidade nas atenções
que lhes dão a mídia, as demais instituições,
os Poderes e os cidadãos conscientes e comprometidos com
os valores democráticos e republicanos.
O
processo de criminalização dos movimentos faz cair
duas falácias: a primeira de que a justiça é
lenta e a segunda a de que a justiça não
funciona. A experiência mostra que no ato de criminalização
das camadas populares o Poder Judiciário não
tarda nem falha. De outro lado, nos perguntamos: a quem interessa
dizer que o judiciário não funciona? A quem interessa
discredibilizar o Poder Judiciário? A quem interessa afirmar
que este poder é um espaço das elites, assim
sempre foi e assim sempre será? Por fim, a quem interessa
a lógica da inexorabilidade da opressão? Será
o Poder Judiciário (in) democratizável? A AATR acredita
que é preciso pagar para ver, é preciso ocupar, romper
as barreiras, pressionar, peticionar, dialogar, ou, como já
temos dito, é preciso fazer a guerrilha jurídica.
A
Guerrilha Jurídica pretende inserir o sistema judiciário
e seus principais atores, os juízes, na disposição
mediadora e dialógica que é a condição
democrática para que a aplicação do Direito
não reste prisioneira da aridez formal e do conformismo político.
As notícias que seguem a respeito da sentença condenatório
do trabalho escravo, da sentença condenatória da Igreja
Universal, da suspensão da liminar de reintegração
de posse de Parateca e Pau D`Arco nos mostram que a Guerrilha Jurídica
já começou e, apesar de processo de criminalização
dos movimentos de luta pela terra ocorrido em Monte Santo, temos
algumas vitórias a comemorar.
Por
isso, convocamos a todos a serem Guerrilheiros, utilizando o saber
jurídico e a prática política para colocar
o Judiciário na tão desejada era da democracia no
Brasil. Convocamos todos a enviar decisões, peças
e pareceres interessantes e avançados que ajudem os movimentos
populares. Lançamos ainda a idéia de, em 2005, montarmos
um Observatório do Judiciário que alcance os vários
tipos de responsabilidade do poder judiciário: a política,
seja do juiz individualmente, seja da magistratura como grupo; a
social, perante os cidadãos; a jurídica do Estado.
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Há
aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há
aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há
aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém
há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Bertold
Brecht
HOMENAGEM
AO PROFESSOR ELENALDO TEIXEIRA
A
AATR homenageia Elenaldo Teixeira, professor da Universidade Federal
da Bahia e associado e Conselheiro da entidade, falecido em 8 de
agosto de 2004. A capacidade de síntese entre teoria e prática,
pensamento e ação marcou a trajetória do intelectual
e ativista que dedicou sua vida à transformação
do mundo em favor dos excluídos.
Na
juventude, resistiu ao regime totalitário na organização
revolucionária AP Ação Popular, onde
contribuiu para a organização dos camponeses nordestinos,
sendo preso e barbaramente torturado. Após sair da prisão,
dedicou-se à vida acadêmica, porém nunca perdeu
o vínculo com as lutas populares, cultivava estreita ligação
com ONGs e movimentos sociais. Na própria universidade, era
vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, onde
pensou e dedicou-se aos inovadores programas Atividade Curricular
em Comunidade e UFBA em Campo.
Elenaldo
dedicou os últimos anos de sua vida a uma incansável
batalha contra a corrupção e em defesa da partição
popular no poder local, tema de sua tese de doutorado, defendida
em 1998 na USP, e temática onde formou uma geração
de estudantes que mais tarde inseriram-se em ONGs e movimentos sociais.
Mas Elenaldo fez bem mais que formar profissionais comprometidos
com as lutas populares. Utilizando a educação popular
como metodologia, peregrinou por toda a Bahia pesquisando e orientando
movimentos e cidadãos sobre os instrumentos jurídicos
e políticos de participação popular.
Em
homenagens desse tipo teríamos dois caminhos: o primeiro,
lembrar sua trajetória; o segundo, continuar sua obra, procurando
dialogar com seu pensamento. A luz do pensamento ilumina e dá
publicidade para as coisas do mundo, aproximando os homens para
a dimensão do real e da ação. Elenaldo tinha
essa luz pública e será por ela que tentaremos iluminar
parte dos desafios colocados.
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PROGRAMA DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO
O
ano de 2004 consolidou a atuação da AATR no combate
ao trabalho escravo na Bahia. As primeiras atividades aconteceram
em 2003 após denúncias de trabalho análogo
a escravo nas fazendas Santo Antônio e Cassol, município
de Luis Eduardo Magalhães, com a realização
da 1º Conferência de Combate ao Trabalho Escravo, que
resultou em duas novas denúncias contra as fazendas Laranjeiras
e Roda Velha, ocorrendo na última a libertação
de 800 trabalhadores em regime análogo a escravo, a maior
já registrada desde a criação do Grupo Móvel
do Ministério do Trabalho e Emprego.
Em
2004 encaminhamos ao Poder Judiciário ações
reivindicando reparação dos danos materiais e morais
ocasionados aos trabalhadores das fazendas Laranjeiras e Roda Velha,
e, no dia 09 de novembro de 2004, a juíza da Vara Federal
do Trabalho de Barreiras, Dra. Alice Maria Santos Braga, condenou
os proprietários da Fazenda Roda Velha a reparação
dos danos morais individuais pela submissão de trabalhadores
a condições análogas a escravo, a primeira
sentença registrada na Bahia.
Em
inédito acordo TAC Termo de Compromisso de Ajustamento
de Conduta firmado entre o Ministério Público do Trabalho
e os responsáveis pela fazenda Roda Velha estes se comprometeram
ao cumprimento das normas trabalhistas, a efetuarem o pagamento
de R$ 655.0638,21 em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
a título de indenização por reparação
genérica de dano moral coletivo, além de publicar
nos jornais de maior circulação do país campanhas
contra o trabalho escravo. O referido documento tinha por objetivo
pôr fim à Ação Civil Pública impetrada
pelo MPT na Vara Trabalhista da comarca de Barreiras em função
das irregularidades encontradas pelo Grupo Especial de Fiscalização
Móvel, quando da visita de inspeção na fazenda.
Dentre outras questões, a empresa se comprometeu em não
mais contratar trabalhadores sem anotação na Carteira
de Trabalho ou utilizando serviços de intermediários,
popularmente conhecidos como gatos. Além de firmar
uma série de outros compromissos de respeito às normas
de segurança e saúde no trabalho.
O reconhecimento
da existência de trabalho análogo a escravo representa
importante contraponto à falaciosa imagem do Oeste da Bahia,
onde floresce a nova face da exclusão social brasileira,
o agronegócio, combinação de concentração
de terras e produção conectada às demandas
do mercado externo, apresentada como o único caminho para
eliminar a pobreza e gerar empregos no campo. Isto, apesar de reconhecermos
suas limitações, uma vez que apenas mudanças
estruturais na sociedade brasileira ruptura com o modelo
agrário colonial que sobrevive há 500 anos e a realização
de uma reforma agrária radical possibilitarão
a erradicação do trabalho escravo.
É
conclusão a que chegou a II Conferência Trabalho Escravo
e Meio Ambiente, realizada durante a XXII Semana da Terra Eugênio
Lyra, nos dias 03, 04 e 05 de setembro de 2004, município
de Barreiras que, em plenária final, aprovou a Carta de Barreiras,
documento consensual entre as entidades presentes que responsabiliza
o agronegócio pela degradação ambiental e precarização
das relações de trabalho no campo. Resultou, ainda,
a Conferência, em importante espaço para trocas entre
regiões detentoras de experiência na temática
e na formação da Comissão Estadual para Prevenção
e Combate ao Trabalho Escravo.
Para
2005, espera-se avançar no combate ao trabalho escravo na
Bahia, através da formação de consórcio
envolvendo a CPT, AATR e SINTAGRO com o objetivo de criar balcões
de direitos em Barreiras e Juazeiro e lançar a Campanha Estadual
para Erradicação do Trabalho Escravo em todas as regiões
econômicas da Bahia, culminando num grande encontro final
em Salvador.
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PROGRAMA
JURISTAS LEIG@S
O
Programa Juristas Leigos objetiva socializar o conteúdo do
Direito - cujo discurso, munido de violento poder simbólico,
coloca-se como elemento fundamental na desestruturação
e enfraquecimento dos movimentos sociais - de modo a torná-lo
forte arma de luta na incessante batalha dos movimentos populares
pelo alcance e efetividade de direitos.
Seguindo
tais diretrizes, já formou uma média de 500 militantes
em todo o interior do estado. No ano de 2004 três turmas foram
organizadas: Inhambupe (a turma já finalizou o curso, sua
formatura aconteceu no mês de agosto ao som de muito forró!),
Brumado e Ilhéus (as turmas estão prestes a finalizar
o curso, só falta a última etapa). Destaque-se que
foram criadas duas novas etapas no curso - Direito dos Povos Indígenas
e Direito dos Afrodescendentes e realizadas as primeiras
experiências de intercâmbio entre as turmas.
Foi
realizado, ainda, o II Encontro de Juristas Leigos, Políticas
Públicas e Direitos Humanos nos dias 22 e 23 de abril de
2004 no CTL Centro de Treinamento de Líderes - em
Salvador-Ba. Pretendeu-se com o encontro dar os primeiros passos
em direção à implementação da
rede de juristas leigos, políticas públicas e direitos
humanos programas desenvolvidos pela AATR e à
articulação das regiões do estado.
Este
ano de 2004 foi também importante para a integração
de novos/as parceiros/as, que se incorporaram ao Programa, colaborando
na realização de etapas, como a advogada da Comissão
de Meio Ambiente da OAB-BA, Carolina Medeiros Bahia, o advogado
ambientalista do Instituto Tijuípe, associado da AATR, Cosme
Nunes, a advogada da bancada estadual do PT, Carolina Passos Sicupira
Cunha, entre outros/as.
Para 2005, a AATR conversa com parceiros a formação
de 4 novas turmas de juristas leig@s, com a possibilidade de uma
turma exclusiva de mulheres.
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PROGRAMA
POLÍTICAS PÚBLICAS
O
Programa de Políticas Públicas, no ano de 2004, deu
continuidade a suas atividades de formação que objetivam
subsidiar as organizações da sociedade civil na sua
inserção ativa no processo de municipalização
das políticas públicas.
Alguns
desdobramentos dos cursos foram observados, como denúncias
de compra de votos em Santa Maria de Vitória, e Mandado de
Segurança em Conde para ter acesso às contas públicas
no período de abril.
A novidade
foi a punição, por crime de prevaricação,
do presidente da Câmara de Vereadores de Conde. No dia 01
de setembro de 2004, a AATR acompanhou os denunciantes na audiência
onde o promotor público indiciou o presidente da Câmara
por crime de prevaricação, utilizando-se do procedimento
da lei 9.099/95 e este aceitou transacionar com o Ministério
Público e pagar uma multa de R$ 100,00 (cem reais) para não
seguir o processo investigatório. Por certo que a indenização
foi irrisória, mas faz parte de um processo de reunião
de provas e, em 06 de outubro de 2004, as denúncias feitas
inicialmente deram ensejo ao promotor propor uma Ação
Civil Pública, pedindo a investigação e a condenação,
decorrentes da percepção irregular de diárias
pagas e fraude na aquisição de combustíveis
para Câmara de Vereadores de Conde.
Em
2005, o monitoramento das turmas continua e esperamos que as denúncias
sirvam de exemplo para outras regiões que acreditam na transparência
da gestão pública e na democracia participativa.
Quanto
à formação, tivemos o curso em Senhor do Bonfim
em parceria com a CPT no projeto Lumiar reunindo trabalhadores da
Ceta, trabalhadores das áreas de fundo de pasto, agentes
pastorais e jovens da PJMP (Pastoral de Juventude do Meio Popular).
Estes jovens ficaram com o desejo de implantar na região
um Grupo de Cidadania. Além disso, iniciamos a turma de Alagoinhas.
Três
turmas foram formadas Inhambupe, Ipirá e Santa Maria
da Vitória. São cerca de 150 militantes que já
têm condições de intervir no processo orçamentário
e de fiscalização de contas dos municípios,
além de participarem de forma mais consciente da formação
e desenvolvimento dos conselhos de suas cidade.
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Programa
de Direitos Humanos
A
formação de uma cultura de respeito aos Direitos Humanos
é o grande objetivo do programa de D.H. da AATR. Para tanto,
a estratégia da AATR tem sido apoiar a formação
e consolidação das diversas redes e fóruns
de Direitos Humanos no Brasil, através da participação
direta nesses espaços, realização de cursos
de direitos humanos e prestação de assessorias às
entidades e redes de D.H.
Nesse
sentido, a AATR vem participando do conselho deliberativo e da gestão
do Programa de Proteção a Testemunhas e Vítimas
Ameaçadas (PROVITA); do Movimento Nacional de Direitos Humanos,
onde ocupa a secretaria executiva do Regional Nordeste, representa
a região Nordeste no Conselho Nacional e preside o Conselho
Fiscal; do Fórum de Entidades e Movimentos de Direitos Humanos
(FEMDH) e da Rede Unicidadania.
No
Projeto Unicidadania, a AATR investiu, em 2004, na discussão
sobre a criação de uma rede social de Direitos Humanos
no Estado. Foram realizados três encontros regionais (Valente,
Ilhéus e Barreiras) e um encontro estadual (Salvador) com
juristas leigos e entidades parceiras, para discutir as bases para
a formação dessa rede na Bahia.
Outra
importante discussão do projeto Unicidadania, protagonizada
pela AATR, foi a questão sobre a profissionalização
de agentes de cidadania e direitos humanos no Brasil. No ano de
2004 foram realizados diversos encontros para discussão dessa
proposta, com destaque para o Seminário sobre Certificação
Profissional de Agentes de Direitos Humanos e Cidadania, realizado
em Recife no mês de agosto; o Seminário Internacional
sobre a Certificação e Profissionalização
de Agentes de Direitos Humanos e Cidadania, realizado no plenário
9 da Câmara dos Deputados, em Brasília, no mês
de novembro; e a reunião do Comitê Nacional de Educação
e Direitos Humanos, realizada em Brasília no mês de
dezembro.
Para
2005, está prevista a realização de Seminário
Internacional sobre Direitos Humanos, em Recife, onde essa proposta
será mais uma vez debatida com a participação
da AATR. As discussões nesse campo da certificação
apontam para um aprofundamento da questão e a idéia
da rede Unicidadania é a criação de uma comissão
interinstitucional para acompanhamento dessa proposta e a socialização
do debate para todo território nacional.
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PROGRAMA
DE COMUNIDADES REMANESCENTES DE QUILOMBOS
Dentre
as Comunidades Remanescentes de Quilombos a que a AATR presta assessoria
jurídica está a Associação Agro-extrativista
das Comunidades de Pau Darco e Parateca. O Quilombo Parateca/Pau
Darco localiza-se no município de Malhada-BA, na região
do Médio São Francisco. O território de posse
quilombola imemorial compreende áreas da União à
beira do Rio São Francisco. Setecentas famílias, correspondendo
a 2.500 pessoas, ocupam a terra vivendo da agricultura familiar
há mais de 100 anos no mesmo local. A Comunidade Quilombola
consta do Cadastro Geral de Quilombos da Fundação
Cultural Palmares/MinC, o que significa que sua identidade quilombola
foi reconhecida e é certificada, além de ser prioridade
para regularização de terras no INCRA.
No
dia 23 de agosto de 2004 foi concedida, arbitrariamente, liminar
de reintegração de posse (processo n. 1999.33.00.011635-9
da 13º Vara Federal) contra esta comunidade quilombola, fruto
do pedido dos fazendeiros. A AATR, buscando evitar um conflito de
maiores proporções, representou ao Ministério
Público Federal (Dr. Sidney Madruga) juntando documentos
que comprovam a posse das comunidades quilombolas, laudo antropológico,
além de declaração INCRA demonstrando a existência
de processo administrativo para regularização das
terras em que estão situados remanescentes de quilombos,
na forma do artigo 68 ADCT da Constituição Federal.
Este procurador da república, acatando os argumentos da AATR,
peticionou no processo juntando a documentação fornecida
por esta e o Juiz da 13º Vara Federal, no dia 13 de dezembro
de 2004, revogou a decisão inicial, suspendendo a liminar,
certificando a presença de mais de 700 famílias quilombolas
no local há mais de 100 anos e determinando que os
requerentes (fazendeiros) se abstenham de adotar quaisquer providências
contra os atuais ocupantes, ora requeridos até ulterior deliberação
deste Juízo. A AATR considera uma batalha vencida,
reconhecendo a atuação do Ministério Público
Federal no caso e a celeridade do Poder Judiciário em revogar
sua decisão.
Contra
esta mesma comunidade há outro Processo Judicial de âmbito
estadual com decisão liminar de reintegração
de posse, inclusive, em uma atitude marcada pela arbitrariedade
e violência, um grupo de pistoleiros a mando dos fazendeiros
expulsou os quilombolas da fazenda Capim de Raiz, destruindo toda
a plantação da comunidade e ameaçando de morte
seus membros.
Diante
destes fatos, a AATR interveio no processo, tentando deslocar a
competência para Justiça Federal, bem como acompanhou
a comunidade em visita ao INCRA resultando na ida deste órgão
ao local, junto com a polícia federal, para início
do processo de regularização fundiária do território
quilombola. Ademais, os advogad@s da AATR fizeram uma visita a Parateca
e Pau DArco com o objetivo de conhecer de perto a real situação
do conflito.
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ASSESSORIA
AOS MOVIMENTOS SOCIAIS NO CAMPO
Em
2004, a AATR assinou convênio com o CETA Movimento
de Acampados e Assentados, movimento que objetiva reverter a absurda
concentração de terras nas mãos de pequenas
oligarquias agrárias utilizando como método a ocupação
de propriedades improdutivas. À AATR competia a assessoria
jurídica ao movimento em ações de reintegração
de posse, criminalização de lideranças e o
acompanhamento de processos administrativos para desapropriação
agrária.
A falta
de vontade política do poder público com a reforma
agrária contrastou à velocidade das reintegrações
de posse concedidas pelo Poder Judiciário. A intensificação
da criminalização das lideranças do movimento
de luta pela terra foi a característica do ano que passou,
com a perseguição institucional de trabalhadores e
assessores dos movimentos sociais, patrocinada por fazendeiros e
contando com a colaboração do Ministério Público
e Poder Judiciário
Monte
Santo, sertão da Bahia, foi palco privilegiado para sórdidas
perseguições a trabalhadores rurais como Nelson de
Jesus Lopes, engenheiro agrônomo e diretor da Escola Família
Agrícola do Sertão. Ele, juntamente com outros trabalhadores,
é acusado de participar e liderar duas invasões
noturnas de terras a mão armada, que teriam ocasionado danos
em cercas, incêndios, incluindo-se aí acusações
de roubo, uma delas envolvendo 120 cabeças de gado que jamais
foram encontradas.
O Poder
Judiciário insiste em manter as arbitrárias prisões
preventivas, mesmo inexistindo nos inquéritos vestígios
seguros que apontem para a existência concreta das ocupações,
bem como indícios para afirmar que os trabalhadores são
autores ou participaram dos fatos, a não ser a alegação
de prepostas dos fazendeiros, que têm a clara intenção
de prender os trabalhadores ou mantê-los afastado da cidade
e vagamente dizem ter visto os mesmos durante as ocupações.
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RAPIDINHAS
Koinonia. Na parceria com Koinonia foram obtidas duas importantes
vitórias no ano de 2004. Na primeira, o juiz da 17ª
Vara Cível de Salvador, Clésio Rômulo Carrilho
Rosa, condenou a Igreja Universal em R$ 1,3 milhões por danos
morais, em virtude da publicação, no jornal Folha
Universal, de matéria ofensiva a Mãe Gilda e seguidores
do candomblé, cujo título era macumbeiros charlatões
lesam o bolso e a vida dos clientes; aguardamos julgamento
do recurso da Igreja Universal para 2ª instância. Na
segunda, a prefeitura Municipal de Camaçari reconheceu a
imunidade do IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano para
o Terreiro Ilê Axé Oyá Taoyá Lòni,
publicada no Diário Oficial do Município nº 69
de 21 a 26/10/2004.
Formação no Combate ao Trabalho Escravo. A
AATR participou, nos dias 17 e 18/08/2004, em Rui Barbosa, do processo
de formação em combate ao trabalho escravo patrocinado
pela Comissão Pastoral da Terra. O frei Xavier facilitou
o processo e proporcionou novas fontes de articulação
para a AATR.
Seminário com Elenaldo em Feira de Santana.
A AATR também esteve no lançamento da pesquisa do
professor Elenaldo sobre a organização da sociedade
civil e participação popular na Bahia, promovida nos
dias 9 e 10 de julho no Centro de Treinamento de Líderes
de Feira de Santana.
Seminário Fórum Permanente de Defesa do São
Francisco. O Seminário foi realizado nos dias 24 e 25/10,
no Hotel Belmar, em Salvador, e trouxe importantes contribuições
para a discussão do projeto de transposição
e para o amadurecimento do posicionamento contrário à
sua realização. Cerca de 300 pessoas participaram
do evento e importantes conclusões foram extraídas
das discussões.
Caravana de Direitos Humanos. A
AATR esteve na 1º Caravana Estadual de Direitos Humanos promovida
pelo MNDH Movimento Nacional de Direitos Humanos entre os
dias 18 e 20 de março, no sul da Bahia. As Caravanas foram
promovidas em todo o país pelas articulações
estaduais do MNDH com o objetivo de interiorizar as ações
do movimento e selecionar casos modelos de violação
aos direitos humanos para serem levados às Cortes Internacionais.
Seminário Fundo de Pasto. A AATR contribuiu
nos debates acerca da regularização fundiária
das áreas de Fundo de Pasto. Importantes passos na luta dos
trabalhadores foram o seminário realizado em Ibotirama nos
dias 09, 10 e 11 de julho e o debate na sede da AATR em 4 de junho.
Seminário Políticas Públicas.
A AATR participou do Seminário Políticas Públicas
no auditório da Escola Politécnica da UFBA nos dias
28 e 29 de abril. Representando importante passo na articulação
da sociedade civil baiana e das instâncias do Poder Público
para um efetivo combate à corrupção nas prefeituras
baianas.
SINTAGRO. AATR, CPT, Koinonia e 05 comunidades quilombolas
discutiram a atuação das três entidades nos
quilombos baianos no último dia 20 de dezembro no auditório
da AATR.
Polícia truculenta. Em 25 de abril, a AATR
acompanhou o CETA na ocupação da seda da CDA
Coordenação de Desenvolvimento Agrário da Bahia
reivindicando políticas públicas para a reforma agrária
na Bahia. Em mais uma demonstração de truculência
e autoritarismo a Polícia Militar da Bahia invadiu o local
três da madrugada e não permitiu que os advogados acompanhassem
o despejo.
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Para os que virão
Como
sei pouco, e sou pouco,
faço
o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo
que não vou ver
o
homem que quero ser.
Já
sofri o suficiente
para
não enganar a ninguém:
principalmente
aos que sofrem
na
própria vida, a garra
da
opressão, e nem sabem.
Não
tenho o sol escondido
no
meu bolso de palavras.
Sou
simplesmente um homem
para
quem já a primeira
e
desolada pessoa
do
singular - foi deixando,
devagar,
sofridamente
de
ser, para transformar-se
-
muito mais sofridamente -
na
primeira e profunda pessoa
do
plural.
Não
importa que doa: é tempo
de
avançar de mão dada
com
quem vai no mesmo rumo,
mesmo
que longe ainda esteja
de
aprender a conjugar
o
verbo amar.
É
tempo sobretudo
de
deixar de ser apenas
a
solitária vanguarda
de
nós mesmos.
Se
trata de ir ao encontro.
(Dura
no peito, arde a límpida
verdade
dos nossos erros.)
Se
trata de abrir o rumo.
Os
que virão, serão povo,
e
saber serão, lutando.
Thiago
de Mello
topo
Créditos:
Textos:
Equipe de Estagiári@s da AATR Clarissa, Isac e Kênia
Contatos: Sítio www.aatr.org.br
E-mail: aatrba@terra.com.br
Tel/Fax: (71) 329-7393
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