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"FUNDOS DE PASTO": uma alternativa de
resistência dos (as) sertanejos (as)
Trabalho Escravo e Degradante
no Oeste da Bahia
Planejamento
participativo da AATR
Rapidinhas
Créditos
Notícias
da AATR
Boletim
Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais
no Estado da Bahia Junho de 2004 - Nº 21
"FUNDOS
DE PASTO":
uma alternativa de resistência dos (as) sertanejos (as)
A
estrutura fundiária brasileira - nascida sob o signo da grande
propriedade e do latifúndio - é a principal responsável
pela conjuntura sócio-econômica opressora e desigual
que marca o país. As grandes propriedades, com pelos menos
mil hectares, representam apenas 1% do total de propriedades e abrangem
45,1% da área passível de exploração
econômica, de acordo com o Censo Agropecuário do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (1995-1996).
Passados
séculos, tal estrutura não sofreu grandes alterações.
A concentração fundiária manteve-se e, com
ela, a injustiça social. A repercussão disso na vida
da mulher/homem do campo foi (e ainda o é) drástica,
e manifesta-se na intensificação do êxodo rural,
através da expulsão em massa dos parceiros, colonos,
assalariados, na multiplicação dos conflitos pela
posse da terra e na manutenção do abismo caracterizador
da desigualdade social, principal promotora da miséria.
Diante
deste caótico e pessimista cenário, surge, dentro
da caatinga semi-árida, de solo pedregoso, vegetação
escassa, pouca água e muito Sol, uma alternativa (já
secular), os denominados "fundos de pasto", símbolo
de resistência sertaneja às agruras naturais e sociais
que marcam a região nordeste brasileira.
Contrariando
a relação patrimonialista/individualista que marca
a propriedade no Brasil, os "fundos de pasto" caracterizam-se
pelo desenvolvimento coletivo de atividades - notadamente a caprinocultura
rústica e extensiva - em espaços de terra comunitários
e abertos, onde a indefinição legal dos direitos de
propriedade e de limites impera.
Para
além de uma simples modalidade de sistema produtivo, os "fundos
de pasto" constituem-se em verdadeiras formações
sociais específicas, com traços comuns e diversidades
nas suas manifestações. Distinguem-se mais significativamente
na forma de organização: se estruturado em terras
devolutas, propriedades condominiais ou nos espaços intermediários
de propriedades; se o sistema de trabalho é individual ou
em esquema de mutirão; se há organização
hierárquica do grupo, etc. dentre outras peculiaridades que
aproximam ou distanciam cada experiência.
A identidade
de grupo ganha destaque nessa formação social, prevalecendo,
inclusive, sobre a dimensão econômica dessa. Daí
muitos dizerem ser a experiência dos "fundos de pasto"
uma resistência à penetração do capitalismo
no meio rural. A regularização fundiária desses
espaços coloca-se como um desafio a ser enfrentado frente
a iniciativas inescrupulosas de grileiros que, constantemente, aproveitando-se
das peculiaridades que marcam essas comunidades, invadem ou, das
mais variadas formas, buscam tomar-lhes as terras onde estão
estruturadas.
A AATR, historicamente ligada à luta dos "fundos de
pasto" pelo reconhecimento de sua identidade, retoma essa discussão
e, junto a entidades parceiras, já vislumbra novas possibilidades
jurídicas de regularização, apesar de identificar
que está na ausência de vontade política o maior
entrave.
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Trabalho
Escravo e Degradante no Oeste da Bahia
Capacitação,
formação de parcerias, ações judiciais
e libertação de mais de 100 trabalhadores
Ocorreu
em Barreiras nos dias 12 e 13 uma oficina promovida pela AATR, em
parceria com a CPT, sobre trabalho escravo, com o objetivo de sensibilizar
algumas entidades do movimento popular da região e firmar
parcerias no esforço conjunto para erradicar esta chaga aberta
da sociedade brasileira, ligada à expansão do agronegócio
na região. O encontro foi bastante rico e contou com a facilitação
de dois agentes da CPT, uma de Xinguara/PA e outro de Araguaína/TO,
onde esta situação é bastante crítica.
O ato
público em frente ao Fórum do Trabalho de Barreiras,
que se daria em razão da audiência marcada para o dia
15 de junho, referente às ações reclamatórias
com pedido de danos morais envolvendo trabalhadores submetidos a
condições de trabalho escravo nas Fazendas Roda Velha
e Laranjeira I, não ocorreu devido à greve que continua
no Tribunal Regional do Trabalho.
A Equipe
Móvel de Fiscalização do Ministério
do Trabalho esteve mais uma vez na região Oeste da Bahia,
entre os dias 21 a 28, em razão de novas denúncias.
Foram libertadas 68 pessoas da servidão por dívidas,
uma modalidade do trabalho escravo contemporâneo, na Fazenda
Guará do Meio, localizada no município de Correntina.
A fazenda é uma grande produtora de algodão e seus
produtos - advindos do trabalho escravo - certamente estão
circulando no mercado de consumo. Noutra fazenda, desta vez em carvoarias
que se expandem indiscriminadamente no Oeste da Bahia, mais 50 trabalhadores
foram retirados do trabalho degradante e superexplorado, tipo que
em muito se assemelha com o trabalho escravo, na Fazenda Angical.
A maior parte desses trabalhadores libertados veio do Estado de
Minas Gerais. Fiquemos atentos.
Em
breve, maiores informações sobre o combate ao trabalho
escravo na Bahia.
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PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO DA AATR
Afinando a viola...
Nos
dias 05 e 06 de julho estará sendo realizado o Planejamento
trienal da AATR com a participação da equipe técnica,
estagiários e diretoria executiva. Pretende-se com essa atividade
avaliar o trabalho realizado neste último ano e definir parâmetros
para a consecução das atividades que estão
por vir. Abaixo, a programação:
Segunda
(05/006/2004)
9:00 - 9:30 h. - Expectativas
Objetivo: Identificar as expectativas do grupo em relação
ao processo, objetivos e produtos finais do planejamento da AATR.
9:30 - 11:00 h. - Avaliação
Objetivo: Avaliação da rotina de trabalho (reuniões
e espaços de decisão, comunicação, socialização
de saberes etc.) e da equipe (funcionamento da estrutura, coordenações
etc.).
11:20 - 13:00 h. - Pensando por meio de problemas.
Objetivo: Analisar os problemas presentes na conjuntura brasileira
e baiana a serem enfrentados pela AATR e identificar quais são
seus principais desafios nos próximos anos.
14:00 - 18:00 - Análise e Avaliação por programa.
Objetivo: Analisar e avaliar cada programa da entidade, buscando
identificar suas metas, dificuldades a serem superadas e indicar
responsáveis à consecução das atividades
dele advindas.
Terça
(06/06/2004)
09:00 - 12:00 - Continuação da atividade anterior
14:00 - 18:00 - Definições para o próximo ano
Objetivo: Através da apresentação do quadro
de metas consolidado, pretende-se ilustrar quais as atividades,
e seus respectivos responsáveis, em que a AATR estará
envolvida no ano subseqüente.
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RAPIDINHAS
Quintas Inquietantes. As Quintas Inquietantes estão de volta!
Aguardem sua versão seqüencial que abordará possibilidades/experiências
diferenciadas de posse coletiva da terra: comunidades quilombolas,
"fundos de pasto" e territórios indígenas.
27ª Romaria da Terra e das Águas. Dos dias 02
a 04 de junho estará acontecendo em Bom Jesus da Lapa a tradicional
Romaria da Terra e das Águas, neste ano, com o tema "Terra
e Água: vida livre e soberana".
Fortalecimento da cidadania em SAMAVI. Mais uma turma concluiu o
curso de Políticas Públicas. Nos dias 12 e 13 de junho
ocorreu o monitoramento e a comemoração da formatura
da turma de Santa Maria da Vitória, ao som de muito forró.
Passemos à ação!
Gestão de recursos hídricos no semi-árido.
Ocorrerá em Juazeiro, nos dias 28 a 30 de julho de 2004,
a III Plenária do Comitê de Bacia do São Francisco
para discussão e aprovação do Plano de Recursos
Hídricos da Bacia do Velho Chico. A AATR é integrante
do Fórum Permanente de Defesa da Bacia do São Francisco.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas
até o dia 18/07.
Intolerância Religiosa. A ação indenizatória
de reparação de danos movido contra a Igreja Universal
em razão da publicação em seu periódico
de ofensas contra a Ialorixá Gildásia dos Santos e
Santos - a Mãe Gilda está em fase de recurso no Tribunal
de Justiça da Bahia nas mãos do Des. Juarez Alves
de Santana.
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Créditos:
Textos:
Equipe de Estagiári@s da AATR Clarissa, Isac e Juliana
Contatos: Sítio www.aatr.org.br
E-mail: aatrba@terra.com.br
Tel/Fax: (71) 329-7393
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