Associação de Advogados
de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia


Trabalho escravo em Barreiras: mais uma vitória da liberdade
Encontro de Juristas Leigos, Políticas Públicas e Direitos Humanos
Revista da AATR
Ação de indenização: mais uma vitória contra a intolerância religios
Seminário Negro em Brumado
Regularização de Fundos e Fechos de Pasto na Bahia
Caravana de Direitos Humanos
Rapidinhas
Créditos


Notícias da AATR
Boletim Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia – Maio de 2004 - Nº 20



Trabalho escravo em Barreiras:
mais uma vitória da liberdade

O esforço no combate ao trabalho escravo no Oeste da Bahia iniciado pela AATR em conjunto com a CUT-Ba/Oeste, Diocese de Barreiras, Sindicato de Trabalhadores Rurais de São Desidério e Comissão de Direitos Humanos de Barreiras na I Conferência Regional sobre Trabalho Escravo continua produzindo bons resultados. Naquela Conferência surgiram as primeiras denúncias de trabalho escravo na região, desmentindo a versão das elites latifundiárias locais, de alguns setores sindicais e do Poder Público, que negavam a existência de trabalho escravo/degradante nas fazendas do Oeste baiano.

As denúncias colhidas se tornaram a principal fonte de informação para a fiscalização feita pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel que realizou autuação da Fazenda Laranjeiras I, identificando 46 trabalhadores em condições desumanas de trabalho, caracterizadoras do trabalho escravo e degradante. A Conferência propiciou, ainda, denúncias de trabalho escravo na Fazenda Roda Velha, fato que desembocou na libertação de 845 trabalhadores em condição escrava existentes naquela área de cultivo de café, a maior libertação de trabalhadores escravizados já realizada no Brasil desde a criação da equipe de fiscalização móvel, em 1995.

Agora, em inédito acordo - Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) - firmado entre o Ministério Público do Trabalho e os responsáveis pela fazenda Roda Velha, estes se comprometeram, para além das normas trabalhistas, a efetuar o pagamento de R$ 655.0638,21 em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a título de indenização por reparação genérica de dano moral coletivo, além de publicar nos jornais de maior circulação do país campanhas contra o trabalho escravo e ser compelida a promover um seminário/campanha contra o trabalho escravo.

O referido documento tem por objeto pôr fim a Ação Civil Pública proposta pelo MPT na Vara Trabalhista da comarca de Barreiras em função das irregularidades encontradas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, quando da visita de inspeção na fazenda. Dentre outras questões, a empresa se comprometeu em não mais contratar trabalhadores sem anotação na Carteira de Trabalho ou utilizando serviços de intermediários, popularmente conhecidos como "gatos", além de firmar uma série de outros compromissos de respeito às normas de segurança e saúde no trabalho os quais podem ser conhecidos com a visita ao sítio do MPT (www.mpt.org.br).

A AATR, seguindo os passos do MPT, inicia uma nova fase no combate ao trabalho escravo/degradante no Oeste do Estado. Com o encaminhamento e acompanhamento das ações judiciais individuais que advieram do trabalho repressivo do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, a AATR pleiteia o pagamento dos direitos trabalhistas negados aos trabalhadores e, principalmente, indenizações por danos morais pelas condições desumanas a que foram submetidos (www.aatr.org.br). É evidente a necessidade de um maior apoio jurídico aos trabalhadores/vítimas de escravidão em razão de ser a impunidade um dos principais estímulos à existência do trabalho escravo e maior incentivadora da reincidência. A primeira audiência relativa a esses casos será realizada no dia 14 de junho em Barreiras, quando se pretende fazer uma grande mobilização local.

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ENCONTRO DE JURISTAS LEIGOS, POLÍTICAS PÚBLICAS E DIREITOS HUMANOS

O clima da Bahia ficou ainda mais intenso nos dias 22 e 23 de abril deste ano quando aconteceu o Seminário da AATR e Grande Encontro de Juristas Leigos e Políticas Públicas. Nesse evento foram estabelecidas as bases para a implementação de uma grande rede de articulação capaz de otimizar a comunicação entre os "juristas/políticas", bem como o reconhecimento das demandas de cada região, socializando-as e agregando mais esforços para solucioná-las.

O "Encontrão" contou com a participação de cerca de 100 pessoas entre cursistas e ex-cursistas, além de toda a equipe da AATR, associados e estudantes que contribuíram para a estruturação da já mencionada rede. Foram discutidas as demandas prioritárias das regiões, dificuldades dos cursistas e ex-cursistas na implementação dos conteúdos passados pelos cursos da AATR, troca de experiências e, como não podia faltar, a integração.

A segunda experiência de encontro mostrou-se válida e só fez fortalecer a identidade "jurista leiga" e "políticas públicas". A pluralidade e diversidade foram patentes num universo que se mostrou forte e militante. Os frutos desse grande encontro já estão sendo colhidos.

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REVISTA DA AATR

Lançado o segundo número da revista da AATR! Trazendo artigos de temas diversos (confira abaixo) a revista da AATR mostrou-se, mais uma vez, como um espaço plural de construção e socialização de conhecimento. E esse projeto não pára aí, logo, logo estará sendo lançado o edital para seleção de artigos para a terceira versão, prevista para ser lançada em setembro. A AATR conta com a colaboração de todas e todos para dar continuidade à publicação.

• Conflitos sociais no campo e atuação do poder jurídico
Dirceu Cintra
Discriminação racial no Brasil
Helio Santos
Construindo a participação política no Brasil
Maurício Azevedo Araújo, Lucas Borges de Carvalho, Murilo Carvalho Sampaio e Pedro Teixeira Diamantino
Controle social e fiscalização das contas públicas
Lucas Borges de Carvalho
A experiência do Provita Bahia no atendimento a adolescentes desacompanhados
Equipe Interdisciplinar do Provita
O Direito em Nova Misericórdia
Murilo Carvalho Sampaio Oliveira
A efetivação dos direitos da criança - E a criança tem direito?
Isadora Browne P. M. Ribeiro
Organizações da Sociedade Civil e poder público na Bahia
Elenaldo Celso Teixeira
Imunidade Tributária dos Terreiros de Candomblé
Equipe da AATR
Decisão da Prefeitura Municipal de Salvador
Parecer - Unificação de projetos de assentamentos
Vera Lúcia Torres e Paulo Torres
o Educação escolar indígena - Um espaço de efetivação de direito
Clelia Neri Côrtes

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Ação de indenização:
mais uma vitória contra a intolerância religiosa

A luta contra a intolerância religiosa na Bahia ganhou, recentemente, um precedente judicial importantíssimo, resultado da resistência política do povo-de-santo e da parceria entre AATR e KOINONIA. A Igreja Universal do Reino de Deus e a Gráfica Universal foram responsabilizadas pela disseminação, através do periódico Folha Universal, de ofensas contra a Ialorixá Gildásia dos Santos e Santos - a Mãe Gilda. A matéria, que foi ilustrada fotos da líder religiosa utilizadas sem autorização, continha ofensas contra os religiosos do Candomblé, atingidos através de seus símbolos e rituais. Mãe Gilda, que sofria de problemas cardíacos, teve seu estado de saúde agravado e faleceu em 1999. A decisão de primeiro grau do 17º Juízo Cível de Salvador condenou ambas - a Igreja e a Gráfica - ao pagamento de uma indenização inicialmente fixada em mais de um milhão de reais (sujeita ainda ao acréscimo de juros). Apesar de a sentença ser passível de revisão, esta já é considerada uma grande vitória na luta contra a violência que atinge as religiões de matriz africana na Bahia, principalmente o Candomblé. Trata-se de uma manifestação emblemática do Judiciário, cujos efeitos beneficiarão não apenas a casa diretamente atingida, o Axé Abassá de Ogum, mas todos os terreiros de Candomblé do Brasil.

"Mas e quanto ao pagamento efetivo da indenização?" A Igreja Universal e a Gráfica Universal entraram com recurso contra esta sentença de primeiro grau. A efetivação da reparação devida está pendente até que sejam esgotadas todas as possibilidades de reforma da decisão."

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Seminário Negro em Brumado

Resistência demanda organização. Esta é a compreensão das/os negras/os sertanejas/os de Brumado, que promoverão o Seminário de Estudo e Consciência Negra durante os próximos dias 28 e 29 de maio. Constam da programação temas como organização política negra, cultura negra e repressão ao racismo. A AATR foi convidada a contribuir com o evento, a tratará sobre os efeitos da conjuntura internacional, organização de movimentos negros locais e os instrumentos jurídicos de combate ao racismo - tema que será trabalhado também em uma das oficinas.
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Regularização de Fundos e Fechos de Pasto na Bahia

Os Fundos e Fechos de Pasto são um sistema produtivo tradicional caracterizado pela relação sustentável com o meio ambiente do semi-árido que trazem, em si, o uso comum dos recursos naturais, desafiando a noção corriqueira e individualista de apropriação e exploração da terra. A Constituição do Estado da Bahia garante a essas comunidades camponesas a posse da terra e a regularização fundiária, mas ainda não é aplicada pela ausência de lei estadual que regulamente a matéria. Para reverter este quadro, as Centrais de Fundos de Pasto, juntamente com entidades de apoio como SASOP, FUNDIFRAN, IRPAA, AATR e CPT, promoverão, no próximo dia 4 de junho, na sede da AATR, um seminário interno sobre a questão. O objetivo é formular, em conjunto, uma proposta de projeto de lei que viabilize o reconhecimento de direitos sobre a terra pelas/os camponesas/es organizados em Fundos e Fechos de Pasto.
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Caravana de Direitos Humanos

A AATR esteve presente na 1º Caravana Estadual de Direitos Humanos promovida pelo MNDH - Movimento Nacional de Direitos Humanos, no sul da Bahia que contou com a participação de sete entidades: GAPA, AATR, CJP, CPT, CONEN, SAJU, Associação dos moradores do Alto de Ondina. As Caravanas foram promovidas em todo o país pelas articulações estaduais do MNDH com o objetivo de interiorizar as ações do movimento e selecionar casos modelos de violação aos direitos humanos para serem levados as Cortes Internacionais. As entidades presentes participaram de quatro atos.

Estiveram num seminário na Câmara Municipal de Itabuna, onde trabalhadores rurais e movimentos sociais ligados ao Fórum de Terra, Trabalho e Cidadania (CARE - CEAS - CIMI - CPT - FASE - MST - PJ - STR Santa Luzia) lembraram o bárbaro assassinato de toda uma família de camponeses a mando do grileiro Paulo Feitosa que depois de 20 anos ainda não foi levado a julgamento. Foram discutidas estratégicas políticas e jurídicas para levar o mandante a julgamento e, neste momento, diversos discursos lembraram a violência contra os trabalhadores rurais, as injustiças sociais no campo e a premente necessidade de reforma agrária.

Na manhã do dia seguinte saíram em caminhada de um acampamento do CETA com aproximadamente 300 pessoas em direção ao fórum de Santa Luzia para exigir providências do Poder Judiciário. Representantes das entidades presentes participaram de uma audiência com o juiz responsável pela comarca que prometeu tomar todas as medidas possíveis para agilizar o julgamento de Paulo Feitosa. Ainda em Santa Luzia tiveram a oportunidade de conversar com moradores da localidade que relataram as atrocidades comedidas pelo grileiro.

Na tarde do mesmo dia ocorreu um encontro com representantes do povo tupinambá, em Olivença, distrito turístico de Ilhéus, onde foram relatadas as precárias condições de vida da comunidade, a falta de terra para plantar, as dificuldades para recuperarem as terras imemoriais, a omissão do poder público, a fome e as violências perpetradas por fazendeiros e donos de pousadas. Os primeiros proíbem os tupinambás que trabalham em suas propriedades de cadastrarem-se na FUNAI, como indígenas, e de participarem das festividades tradicionais. Os segundos buscam apoderar-se das poucas terras que sobraram e usar os índios como "atrativos" turísticos.

O último compromisso realizado foi um encontro com os integrantes do projeto ENCANTARTE, formado por crianças e adolescentes da periferia de Itabuna, que num ambiente de injustiça social e violência tentam transformar a vida na comunidade através da música, capoeira, poesia e educação. Os jovens relataram os êxitos da experiências, as dificuldades encontradas e as transformações que o projeto tem permitido na vida da comunidade.
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RAPIDINHAS

• Assembléia da AATR. Dentro das realizações do Seminário da AATR esteve a Assembléia Ordinária da entidade que reuniu velhos amigos e associados. Além da prestação de contas da entidade, foi discutido o projeto da AATR em toda a sua amplitude. A maior novidade esteve na recepção de novos associados, advogados e estudantes, para a entidade. Francisco, Adriana, Vanessa, Ana, Juliana, Emanuel, Gabriela e Roberto, sejam bem vindos!

• Formaturas. As turmas de Ipirá, Santa Maria da Vitória e Inhambupe estão comemorando a conclusão dos respectivos cursos. Às/aos cursistas: parabéns!

• Juristas Leigos. Já estão marcadas as próximas etapas das turmas de Brumado (Direito Eleitoral) e Ilhéus (Direito Agrário). Serão nos dias 23, 24 e 25 de julho. Todos já aguardam ansiosamente.

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Créditos:

Textos: Equipe de Estagiários da AATR – Clarissa, Isac e Juliana
Contatos: Sítio – www.aatr.org.br
E-mail: aatrba@terra.com.br
Tel/Fax: (71) 329-7393

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