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20 Anos de Impunidade - O Caso Paulo Feitosa
A força da Mulher
Novos Horizontes para o Programa Juristas Leigos
Calendário - outras etapas do Juristas
Leigos em pauta
Rapidinhas
Créditos
Notícias
da AATR
Boletim
Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais
no Estado da Bahia Março de 2004 - Nº 19
20
Anos de Impunidade
1.
O Histórico do caso
Em 16/03/1984, cinco pistoleiros contratados por Paulo Feitosa,
assassinaram barbaramente uma família inteira: João
Celestino da Costa foi atingido com profundos golpes de facão
na cabeça e nas mãos, o mesmo aconteceu com seu filho
Adailton Celestino da Costa de 12 anos. Sua esposa Maria José
Santos, grávida de 3 meses, correu e foi morta a cem metros
de casa, apedrejada, cortada de facão e jogada em um buraco.
O crime aconteceu em Santa Luzia - Bahia e ficou conhecido como
a Chacina da Serra da Onça. Paulo Feitosa mandou assassinar
essa família porque queria roubar suas terras.
2.
Os julgamentos e a impunidade de Paulo Feitosa
Em
29/01/1992, graças à pressão do movimento popular
e sindical, 4 dos 5 pistoleiros e Paulo Feitosa são levados
a julgamento. Os pistoleiros afirmaram textualmente: A gente
matou porque Paulo Feitosa mandou. O mandante usou de suas
ligações com políticos e empresários
poderosos da região para escapar desse julgamento que condenou
seus pistoleiros a 54 anos de prisão. O segundo julgamento
foi marcado para 26/03/92, porém, Paulo Feitosa escapa da
justiça, porque o juiz é retirado da comarca no último
minuto. Novo júri é marcado para 12/05/92 e o juiz
decreta prisão preventiva para evitar a fuga. O Tribunal
de Justiça da Bahia, em Salvador, concede habeas corpus
e Paulo Feitosa escapa mais uma vez. Logo em seguida, o criminoso
solicita a transferência do seu julgamento para outra comarca,
onde tem aliados poderosos e pode mais facilmente aterrorizar os
integrantes do júri. Em 23/03/96, os pistoleiros já
condenados, recorreram e foram levados a novo Júri, onde
também deveria ser julgado o mandante do crime Paulo Feitosa.
Neste dia, os pistoleiros foram novamente condenados e estão
cumprindo pena. Para espanto geral, a Justiça da Bahia alegou
que não existiam condições de Paulo Feitosa
ser submetido a julgamento em Santa Luzia, e desaforou o processo,
isto é, transferiu o julgamento para Salvador. Porém,
passaram-se mais de oito anos e o Tribunal de Justiça da
Bahia nada fez para que acontecesse este julgamento, em Salvador.
Ao contrário, o processo ficou desaparecido durante muito
tempo e somente em 2004 foi encontrado no Tribunal de Justiça
da Bahia dentro de um recurso dos pistoleiros. Resultado: em março
deste ano estamos completando 20 anos de impunidade.
3. Quem é Paulo Feitosa
O
grileiro de terras e advogado Paulo Feitosa já esteve preso
por envolvimento com tráfico de crianças e prostituição
infantil. Em 1994 recebeu voz de prisão na Câmara de
Deputados em Brasília, por prestar depoimento falso e sonegação
de impostos. Em 1996 é procurado pela Polícia Federal
porque mantinha depósito de crianças na
zona rural de Santa Luzia, para serem comercializadas em processos
de adoção. A diligência policial se atrasa e
Paulo Feitosa consegue esconder as crianças, escapando mais
uma vez.
4. O papel da justiça e a impunidade
Desde
12/05/92 que o pedido de transferência do local de julgamento
(desaforamento) feito por Paulo Feitosa ao Tribunal de Justiça,
em Salvador, e concedido pelo mesmo tribunal, não teve sua
decisão cumprida. Ao contrário, o processo de Paulo
Feitosa, após anos de sumiço, foi encontrado misturado
com um recurso dos pistoleiros, não tendo sido enviado para
uma das Varas do Júri de Salvador. A justiça não
cuida do processo de Paulo Feitosa desde 1992. A morosidade conivente
e a escandalosa parcialidade da Justiça da Bahia asseguram
a impunidade desse assassino envolvido com tráfico de criança,
roubo de terras, incentivador de prostituição infantil
e contumaz sonegador de impostos.
5.
O clamor por Justiça
Passados
vinte anos desse bárbaro crime, é vergonhoso que a
Justiça da Bahia tenha adiado por tanto tempo o julgamento
de Paulo Feitosa, que ficou impune para praticar novos e hediondos
crimes. O sangue de João Celestino, Adailton e Maria José
clama por justiça. Essa família de pequenos agricultores
foi assassinada quando estava trabalhando em suas terras. As entidades
que assinam este manifesto expressam sua solidariedade com os parentes
e posseiros da Serra da Onça. Reafirmamos nossa convicção
de que a terra foi feita para quem nela trabalha. Reconhecemos o
empenho de parte do Poder Judiciário da Bahia em aplicar
as leis e fazer Justiça, ao mesmo tempo em que repudiamos
a morosidade injustificada com que o Tribunal de Justiça
da Bahia vem tratando este caso, aparentando estar submetido a uma
rede de influências que vem reforçar a impunidade com
que criminosos poderosos do colarinho branco sempre foram agraciados
neste país.
Exigimos que sejam tomadas as devidas providências quanto
ao desaforamento pendente desde 1992, a imediata designação
de data para o julgamento de Paulo Feitosa, e a sua responsabilização
como mandante desta chacina brutal.
AATR
CARE CEAS CIMI CPT FASE
MST PJ STR Santa Luzia
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A FORÇA DA MULHER

Maria,
Maria/ É um dom, uma certa magia/ Uma força que nos
alerta/ Uma mulher que/ merece viver e amar/
Como outra qualquer do planeta/ Maria, Maria/ E o som, é
a cor, é o suor/ E a dose mais forte e lenta/
De uma gente que ri quando deve chorar/ E não vive, apenas
agüenta/ Mas é preciso ter força/ É preciso
ter raça/
É preciso ter gana sempre/ Quem tem no corpo a marca/ Maria,
Maria /Mistura a dor e a alegria/ Mas é preciso ter
manha/
É preciso ter graça/ É preciso ter sonho sempre/
Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha mania/ De ter fé
na vida".
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Há
145 anos, no dia 8 de Março de 1857, teve lugar aquela que
terá sido, em todo o mundo, uma das primeiras ações
organizadas por trabalhadores do sexo feminino. Centenas de mulheres
das fábricas de vestuário e têxteis de Nova
Iorque iniciaram uma marcha de protesto contra os baixos salários,
o período de 12 horas diárias e as más condições
de trabalho. A manifestação foi violentamente dispersada
pela polícia.
Hoje, esse dia, em que as ruas ficam mais lilases, é dedicado
a encontros, discussões e festejos que, acima da simples
comemoração, promove reflexões acerca das questões
de gênero e da imperativa superação dos valores
e condutas patriarcalistas que justificam, há séculos,
a manutenção do poder nas mãos dos homens,
para os homens e pelos os homens. A inserção da mulher
no mercado de trabalho e nas políticas públicas, seu
papel na família, a violência (física e simbólica)
de que são alvo, são temáticas que movem esse
grandioso grupo nos acampamentos, passeatas e auditórios,
sempre com a certeza de que a superação das questões
de gênero, apesar de não solucionar todos os problemas,
é um importante meio para o alcance de uma realidade social
mais justa e igualitária.
Dentre as mais diversas atividades que ocorreram em Salvador e na
Bahia como um todo, destaca-se o Acampamento de Mulheres do MST
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Salvador,
o Acampamento de Mulheres do CETA, em Itaberaba. Ambas as ocasiões
se referem a encontros de mulheres para trocas de experiência,
capacitação e definição de pautas políticas
comuns.
CETA
"essa luta é justa e certa!"
O início
de 2004 traz a renovação da atuação
da AATR junto a demandas de luta pela terra. O convênio recentemente
firmado com a antiga CETA (Coordenação Estadual de
Trabalhadoras/es Assentadas/os e Acampadas/os), que agora se identifica
como o CETA (o Movimento CETA), redefine e oxigena nos horizontes
da entidade, o engajamento em causas de natureza agrária.
Já estão sendo realizadas reuniões com as diversas
regionais do movimento, que possui representações
em toda a Bahia, e no último dia 6 de março, durante
o Acampamento de Mulheres do CETA, em Itaberaba, uma oficina marcante
em torno do tema da Previdência da Trabalhadora Rural foi
encerrada com um dos gritos de animação do movimento,
articulado sob a perspectiva feminina:
"Enquanto existe fome,
Enquanto existe guerra,
O CETA e as mulheres vão lutando pela terra!"
Longa vida para esta parceria!
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Novos horizontes para o Programa Juristas Leigos
Seguindo seu ritmo de constantes revitalizações, o
Programa Juristas Leigos passou por mais uma inovação
nos seus conteúdos. Trata-se da Etapa Direitos dos Povos
Indígenas e População Afro-descendente, realizada
com a turma de Ilhéus entre 6 e 8 de fevereiro a título
de experimentação.
O objetivo é oferecer, a partir de agora, junto com os temas
já trabalhados pelos Juristas, definidos em função
dos também já tradicionais ramos do direito (civil,
penal, trabalhista, etc.), estes dois módulos, originalmente
apresentados em conjunto, mas que terão existência
autônoma. Com a inclusão destes dois temas inovadores,
a AATR aposta numa redefinição das atividades de formação
em função dos vínculos mobilizatórios
de identidade étnico-racial mais relevantes para a luta por
justiça social no Brasil, contemplando as diversas nações
indígenas e as comunidades negras.
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Calendário
- outras etapas do Juristas Leigos em pauta
Seguindo em constante aperfeiçoamento, o Programa Juristas
Leigos segue seu fluxo:
- Em Aracatu, nos dias 5, 6 e 7, aliada à audiência
da Comunidade de Atingidos de Barragens com o superintendente da
CODEVASF, João Paulo Neves, em Guanambi, ocorreu a etapa
de Direito Agrário;
- Nos dias 12 a 14 aconteceu a etapa de Direito da Seguridade Social,
em Inhambupe;
- Também confirmada, a etapa de Direito Eleitoral em Ilhéus
nos dias 07, 08 e 09 de maio.
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RAPIDINHAS
Revista da AATR. Está confirmada para abril, paralelamente
à Assembléia anual da AATR, a publicação
da segunda edição da Revista da AATR. Aguardem as
novidades!
Assembléia anual do MNDH-NE. Aconteceu nos dias 04,
05 e 06 de março, na cidade de Olinda - PE, a Assembléia
anual do MNDH. Nessa oportunidade, foram eleitos os representantes
do Nordeste no Conselho Nacional do movimento, entre eles, José
Cláudio Rocha, presidente da AATR. O GAPA-Ba foi reconduzido
à articulação estadual. Bom trabalho!
Políticas Públicas. Nos dias 19, 20 e 21 de
março aconteceu a última etapa, e conseqüente
formatura da turma, do Programa de Políticas Públicas
da AATR de Santa Maria da Vitória.
Lucas em Santa Catarina. Nosso companheiro Lucas já
está em Santa Catarina para dar início à caminhada
de seu Mestrado em Filosofia do Direito. Saudades...
20 anos de MST. Fundado em 1984, o Movimento de Trabalhadores
Rurais Sem Terra comemora duas décadas de luta. Parabéns.
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Créditos:
Textos:
Equipe de Estagiários da AATR Clarissa, Isac e Juliana
Contatos: Sítio www.aatr.org.br
E-mail: aatrba@terra.com.br
Tel/Fax: (71) 329-7393
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