Associação de Advogados
de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia


Editorial: Guerra e Paz (ou: do regresso às perguntas simples)
Assembléia da AATR
Lançamento da Revista da AATR
AATR no Fórum Social Mundial
Rapidinhas
A Bomba
Créditos


Notícias da AATR
Boletim Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia – Abril de 2003 - Nº 15



EDITORIAL: Guerra e Paz
(ou: do regresso às perguntas simples)

Muito já se falou sobre a 2ª guerra do Iraque. A cada instante somos bombardeados (com o perdão pelo uso da palavra) com todo o tipo de informações. Sabemos dos ataques aéreos à Bagdá, da motivação petrolífera da invasão, dos fundamentos religiosos de Walker Bush e S. Hussein, de quantos soldados da coalizão “aliada” morreram, de quantos civis iraquianos ficaram feridos, da falta de água e comida e do excesso de miséria que assolam a terra de Saddam etc etc e poderíamos ficar aqui por dois dias ou vinte páginas relatando e rememorando mais um monte de filigranas sobre o assunto.

Não é esse o nosso intuito. A questão que ora se coloca é uma questão simples. E as questões simples, parecem ser cada vez mais difíceis de serem respondidas. Talvez por isso fiquem, muitas vezes, no esquecimento. Coisa de criança. Sem importância.

Que mundo é esse em que estamos vivendo? Que sociedade é essa que estamos construindo?

Apesar de todos os avanços tecnológicos e científicos, de toda a crença no progresso e na razão humana, parecemos cada vez mais impotentes diante dos (cada vez mais irracionais) acontecimentos. Tudo que é sólido se desmancha no ar, já se disse sobre os tempos modernos. E não aprendemos a lição. Acreditamos no direito internacional, no diálogo, nos direitos humanos, na paz. Mas, como que num passe de mágica, uma simples assinatura põe tudo por água abaixo (e deixa-nos atônitos).

A história se repete. A voz da força – que cotidianamente tentamos (e às vezes conseguimos) repelir – mais uma vez prevaleceu. Os mais ricos, os mais fortes, os mais iguais do que os outros, desrespeitando as instituições e a comunidade internacional, voltaram a ditar as cartas e a se autoproclamar o “bem” e a denominar o outro, o “mal”. E mais uma vez, atônitos, não conseguimos entender.

Governantes apóiam a guerra mesmo contra a vontade da maioria da população que os elegeu (?!). Os EUA, que forneceram ao Iraque insumos para a fabricação de armas químicas, pretendem agora destruí-las e, com isso, “libertar” o povo iraquiano, o mesmo que sofre há mais de dez anos as nefastas conseqüências do embargo econômico ao país e o mesmo que é atingido e assassinado diariamente pelos bombardeios das tropas aliadas. Hã?!

Enquanto isso, ouvimos e vemos múltiplas e diversas explicações (racionais) para a guerra. O petróleo, a água, a religião, a indústria armamentista, a reeleição, o terrorismo... Pode ser mesmo que tudo isso seja verdade. Mas, sempre, no fundo, restará uma interrogação. Uma dúvida. É que o império, a força, a lei do mais forte não possui (e não se preocupa) com justificativas. Com motivos ou com razões. O império simplesmente segue. Cegamente. Ultrapassando todos os obstáculos, todos os limites e quaisquer adversários ao seu poder. A força e o império são, em última instância, fins em si mesmo.

É por isso que a criança, mesmo após aquela minuciosa explicação dos pais, insiste e pergunta, singelamente: “por quê?”. E os pais, resignados, responderão: “porque sim”...

Para terminar, recorremos ao poeta, nosso aliado nas situações difíceis: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo/prefeririam (os delicados) morrer/Chegou um tempo em que não adianta morrer/Chegou um tempo em que a vida é uma ordem/A vida apenas, sem mistificação”. Encampemos, então, a luta pela única coisa que devemos aceitar como um fim em si mesmo, a luta pela vida. A vida apenas, sem mistificação. Abaixo a guerra.

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Assembléia da AATR


A Assembléia da AATR, neste ano de 2003, será realizada em formato diferenciado, nos dias 11, 12 e 13 de abril, no CTL, de Itapuã. As atividades começam no dia 11, pela manhã, com o credenciamento dos participantes. No início da tarde, no mesmo dia, será feita uma análise de conjuntura pelo prof. Antônio Câmara. Às 20:00h, será lançada a Revista da AATR (v. item abaixo).

No sábado, 12 de abril, a discussão será por grupos de trabalho divididos pelas temáticas de atuação da AATR (tais como juristas leigos, políticas públicas, direitos humanos, territórios negros, recursos hídricos etc.). Por fim, no domingo, 13 de abril, será realizada a Assembléia da entidade, inclusive, com a eleição da nova diretoria.

Como se vê, muito mais do que uma simples assembléia, trata-se de um verdadeiro seminário participativo de planejamento da entidade. É com esse intuito, e tendo em vista discutir a nossa atuação e agregar novos elementos ao nosso trabalho, que foram convidados diversos parceiros, sócios e colaboradores.
Contamos com a sua participação. Os interessados podem entrar em contato pelo tel. 329-7393 ou pelo e-mail: aatrba@terra.com.br.


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Lançamento da Revista da AATR

No primeiro dia da Assembléia, 11 de abril, às 20:00h, está marcado o lançamento da Revista da AATR. A Revista possui dois focos. O primeiro é a avaliação e sistematização das experiências adquiridas nos programas juristas leigos, políticas públicas e estágio, trazendo ainda um histórico completo da AATR.

A par disso, contém a transcrição do seminário de comemoração dos nossos 20 anos, “responsabilidade social do operador do direito”, com as palestras das Prof. Miracy Gustin (UFMG) e Geisa Rodrigues (UFBA), e dos sócios Paulo Torres e Carlos Oliveira.    

Outros temas abordados são os seguintes: o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, meio ambiente do trabalho, poesias, fotos etc etc.

Não poderíamos deixar de mencionar o texto “do sono dogmático à implosão do direito”, de autoria dos estagiários, que também subscrevem este Notícias (e aqui a parcialidade no comentário é total...). O texto faz uma análise dos estágios enquanto espaço estratégico de formação, conformação e reprodução do saber jurídico dominante-conservador, tendo como pano de fundo e referência, para as necessárias mudanças, o estágio da AATR.    

Enfim, imperdível. Para quem não estiver na Assembléia, em breve os exemplares estarão à venda no nosso site: www.aatr.org.br ou diretamente por telefone, 71-329-7393.

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AATR no Fórum Social Mundial

Marcamos presença no último Fórum Social Mundial. A AATR realizou duas oficinas, uma sobre o programa Juristas Leigos e outra sobre o Políticas Públicas. Esta última, inclusive, ficou completamente lotada. Na atmosfera plural e entusiasta do Fórum mundial, conseguimos reunir nas oficinas diversos militantes do Brasil e de outros países, sendo marca definitiva das oficinas a discussão acerca do papel do movimento popular na democratização da justiça e das políticas públicas.Convém ressaltar que as oficinas foram um sucesso na medida em que a AATR está sendo convidada para socializar suas experiências em diversas regiões do país.
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RAPIDINHAS

- Washington. Nosso companheiro e diretor da AATR, Marilson, radicado temporariamente em Brasília, esteve em Washington, lá onde o “homem” manda. Não, não foi nada disso que você está pensando. Ele não foi tentar impedir a guerra (pelo menos não oficialmente...). Brincadeiras à parte, o trabalho foi sério e foi o encaminhamento de uma denúncia, patrocinada pelo MNDH, à Corte Interamericana de Direitos Humanos, situada naquela cidade.

- Novas Turmas. O Programa Políticas Públicas segue de vento em popa. Foram abertas novas turmas nas seguintes cidades: Santa Maria da Vitória, Juazeiro, Alagoinhas (duas turmas). Além disso, o curso segue, faltando apenas a última etapa, na região de Brotas de Macaúbas.

- Aos bacharéis. Murilo e Pedro dão adeus à vida de estagiário. A formatura será no final do mês de abril. O movimento popular agradece a formação de mais dois advogados ligados às causas populares e espera (re) vê-los de perto o mais cedo possível...

- Aos que virão. Em razão da formatura dos nossos caros companheiros, a AATR estará contratando em breve um ou dois novos estagiários para compor a equipe. O próximo boletim, assim, estará ao cargo dos novos... Aguardem.

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A BOMBA

A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
 
A bomba
é um produto quintessente de um laboratório falido
 
A bomba
é miséria confederando milhões de misérias
 
(...)

A bomba
é podre
 
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
 
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
 
A bomba
declara-se balança de justiça arca de amor arcanjo de felicidade
 
(...)
 
A bomba
fede
 
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
 
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
 
A bomba
não destruirá a vida
 
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba.

Carlos Drummond de Andrade


 
Créditos:

Textos e Edição: Lucas, Pedro e Murilo.
Agradecimentos: A Murilo e Pedro.
Contatos: Sítio – www.aatr.org.br
E-mail: aatrba@terra.com.br
Tel/Fax: (71) 329-7393

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