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Editorial: chega de manicômios
Itacaré e a luta dos pescadores
Da conquista formal à transformação
radical
Rapidinhas
Céu (Manuel Bandeira)
Créditos
Notícias
da AATR
Boletim
Informativo da Associação de Advogados de Trabalhadores
Rurais
no Estado da Bahia Maio de 2002 - Nº 9
Editorial:
chega de manicômios.
Contra aquilo que se pode chamar
depósito de seres humanos, o Movimento da Luta Antimanicomial
se firma no Brasil a partir de 1987, durante um Congresso de Trabalhadores
de Saúde Mental em Bauru/SP. O marco dessa luta é
18 de maio.
Desde então alguns setores da sociedade brasileira, incluindo
usuários de serviço de saúde mental, passaram
a denunciar violências intrínsecas aos hospitais psiquiátricos,
verdadeiros nichos de exclusão social, onde ainda é
comum o uso de choques elétricos terapêuticos,
chancelado pela autoridade do discurso científico.
A proposta é reverter o estigma e a exclusão para
valorização do potencial revolucionário, transformador
e criativo daqueles que estão confinados em instituições
de saúde (?) mental. É necessário rompermos
com a idéia do louco distante e até mesmo perigoso
engendrada no seio intolerante da racionalidade moderna.
Na prática, o Movimento foi fundamental para aprovação
da Lei 10.216, a qual proíbe a construção de
novos manicômios no Brasil, bem como prevê a desativação
gradual dos que existem.
Há tendências progressistas de tratamento que substituem
os métodos convencionais: restringe-se a internação
aos períodos de crise aguda, priorizando o tratamento ambulatorial
e o contato com a família e a sociedade. Apesar do sucesso
na adoção deste substitutivo pelo Brasil afora, é
bem recente essa discussão na Bahia.
É hora de contribuir e participar dessa luta que é
de todos os seres humanos e na boa terra já ocupa os Conselhos
Estadual e Municipal (Salvador) de Saúde e Comissão
Técnica de Reforma Psiquiátrica. Afinal, como diz
o velho ditado, de médico e de louco, todo mundo tem
um pouco. Abaixo os manicômios. Chega de exclusão
e intolerância!
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Itacaré e a luta dos pescadores
Não é banho
de mar, peixe fresco, sol e água de coco, o que têm
levado a AATR às verdejantes praias e coqueirais de Itacaré,
réstia de paraíso incrustada no litoral sul do Estado.
Um dia sim, mas ainda não.
Sabe-se que para a foz do Rio de Contas
marcham batalhões de turistas no afã de desbravar
as benesses naturais que somente lugares como este pode nos ofertar.
Na cartilha diária da mãe natureza, seu povo humilde
sabe bem acolher às vezes com certo assombro, os inúmeros
forasteiros exilados da terra vindos de todos os cantos do mundo
para beijar o chão de onde parece jorrar mel.
As aparências enganam. Amarga na língua dos trabalhadores
nativos a velha e conhecida especulação
imobiliária, banda podre do fruto de um turismo que transforma
gente e natureza em produto mercadológico. Isto quando não
os vêem como empecilho para o lucro.
Tal especulação tem transtornado uma pacata comunidade
de novos e antigos pescadores, que há mais de 60 anos ocupa
mansa e pacificamente uma área em Itacaré. O problema
é que o local se encontra espremido entre terrenos há
muito grilados, destinados à construção de
hotéis, bares e restaurantes. Os conflitos se intensificaram
quando os moradores, mesmo pressionados com ameaças graves
a se retirar do lugar, se organizaram.
A AATR, em meio a esse contexto, foi chamada a dar apoio aos trabalhadores.
A polícia local, a priori, se negou a receber queixa
das ameaças sofridas pelos mesmos. Com a intervenção
da AATR e, principalmente com a luta dos trabalhadores, a polícia
recuou e o Ministério Público está no caso.
Além do apoio jurídico, tudo indica que em breve serão
implementados os programas Juristas Leigos e Políticas Públicas
em Itacaré.
Certamente um dia o sol, o mar, os coqueiros serão motivos
suficientes para nos levar à paradisíaca Itacaré.
Celebrarmos com seu povo a vitória da resistência à
mesquinhez. E juntos celebraremos o mel doce que ainda insiste em
minar no chão da terna mãe natureza, aflita em Itacaré.
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Da conquista formal à transformação radical
Foi a tônica da Conferência
Estadual de Mulheres Baianas, realizada no dia 11 de maio de 2002,
na Fundação Visconde de Cairu, com participação
de 206 mulheres de 12 municípios baianos, estimulando a reflexão
e o debate entre as baianas acerca da Plataforma Política
Feminista.
A questão das políticas afirmativas em voga
nos últimos tempos esquentou os debates. Rumo à Conferência
Nacional, em Brasília, as baianas apresentaram destaques,
propostas e emendas à Plataforma consoante construção
de um mundo radicalmente democrático, socialmente igualitário,
sustentável e justo.
Simone Nascimento, Isadora Browne, Cecília Petrina e Iria
Minosso, fizeram-se presentes e representando a AATR.
*em breve o relatório da Conferência será
disponibilizado em nosso site.
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RAPIDINHAS
- Ponta pé
inicial: deu-se durante os dias 10 e 11 de maio no município
de Valente, região do sisal. É o início oficial
do Programa Políticas Públicas da AATR. A próxima
etapa em Valente realizar-se-á durante os dias 05, 06 e 07
de Julho.
- 16 de maio: data em que se comemorou (no sentido de lembrar
junto) um ano da violenta repressão policial ao movimento
pacífico em prol da ética na política, no campus
da UFBA. Dentro da vasta programação, destacaram-se
as pinturas nas unidades do campus, especialmente no Viaduto onde
ficaram acuados os estudantes. Também houve passeata e protestos
diante da residência de ACM.
- Juan Pegoraro: nos dias 21 e 22 passados, o professor da
Universidade de Buenos Aires proferiu palestra na Ufba sobre Controle
Social, Criminalidade e Violência; evento promovido
pelo curso de extensão em Direitos Humanos, intitulado Violência
x Impunidade, gerido pela AATR/FEDH.
- MMTR: mais uma vez o Movimento de Mulheres Trabalhadoras
Rurais se reuniu na AATR em seu primeiro encontro deste ano, a fim
de fortalecer ainda mais este tão importante movimento social.
- www.aatr.org.br:
Continue colaborando com o site da AATR enviando-nos críticas,
sugestões, textos, artigos, informes, jurisprudências
afins, etc.
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Céu
A criança olha
Para
o céu azul.
Levanta a mãozinha,
Quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança
Quando o tem na mão.
Manuel Bandeira. In Belo Belo.
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Crédito:
Textos,
diagramações e outras coisas mais:
Estagiários (Lucas Borges, Murilo Sampaio e Pedro Diamantino).
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