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23 anos sem Eugênio Lyra
Acesso à Justiça, Movimentos
Sociais e Advocacia Popular
Nossas Atividades e Programas
A AATR e a Questão das Terras
de Quilombo
O Fórum Estadual de Educação
no Campo
23
Anos sem Eugênio Lyra
Em 22 de Setembro de 2000, completa-se
23 anos da morte do companheiro Eugênio Lyra, assassinado,
em 1977, por latifundiários da região oeste da Bahia,
mais precisamente na cidade de Santa Maria da Vitória. Trazemos
uma poesia de Eugênio como símbolo de esperança
na Luta dos Advogados Populares:
Plantemos novas sementes
Colhamos frutos maduros
Rompamos todas as frentes
E os obstáculos futuros
Sejamos mais conscientes e,
Juntos, onipotentes,
Prostremos todos os muros
Eugênio Lyra, 14 de Abril de 1971
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Acesso à Justiça, movimentos sociais
e advocacia popular
Marilson Santana*
A data da morte do companheiro Eugênio
Lyra nos faz refletir sobre a atividade do advogado popular. Qual
o sentido, o significado e o porque dessa luta são indagações
que se apresentam, buscando sempre novas respostas e novas alternativas.
O movimento social quando se relaciona com a Justiça quer
constituir, contestar , realizar e ter reconhecidos os seus direitos.
Quer, obviamente, Acesso à Justiça.
Processualistas e Sociólogos do Direito tais como Mauro Cappeleti,
Marinonni, Boaventura de Souza Santos, Cândido Dinamarco,
Ada Pelegrini, dentre outros, são unânimes em dizer
que os obstáculos apresentados para as classes populares
terem acesso à justiça são de natureza econômica,
jurídica e sócio-cultural.
Os obstáculos econômicos referem-se a situação
de exclusão e hiposuficiência econômicas dessas
classes, colocadas diante das altas custas processuais e do alto
preço dos serviços de advocacia. No movimento social
, isso se traduziria pelas constantes dificuldades em se obter financiamento
para suas atividades, especialmente para a atividade jurídica
.
Os obstáculos jurídicos podem ser detectados
nas formalidades excessivas, no excesso de recursos, na falência
do sistema judiciário, na morosidade , etc, que promovem
um verdadeiro descrédito da população na Justiça.
A isso se soma uma cultura elitista e jurídico-individualista
do judiciário brasileiro que, especialmente na base do sistema,
despreza as ações coletivas e trata a Constituição
Federal como um estatuto sem força normativa
, desprovido de mecanismos processuais e eficácia jurídica.
As dificuldades de natureza sócio-culturais, dentre outras,
colocam-se exatamente no fetiche que o povo tem do judiciário,
como também de um certo medo da justiça,
quando não, um completo alheamento da mesma, muitas vezes
por conta da linguagem inacessível, das vestes talares
dos operadores do direito e da violência simbólica
existente nos ambientes e discussões jurídicas. Essa
visão tradicional da advocacia é corroborada pelo
movimento social que não raro mistifica e alimenta uma certa
rejeição ao jurídico, sempre identificando
o advogado como instrumento de suas lutas e não
como mais um ator ( ou co-ator) da luta política dentro de
um campo específico que é o Direito. Acreditamos em
várias possibilidades de superação daqueles
obstáculos para o movimento social. Isso implica em mudanças
da relação do movimento para com os advogados populares,
bem como destes para com o movimento no desenvolvimento de sua atividade.
A superação dos obstáculos econômicos
passa, dentre outras coisas, não só pela valorização
econômica do trabalho do advogado popular , vez que requer
o mínimo de dignidade na atuação profissional,
como também numa relação menos tradicional
com o mesmo. Devemos buscar meios de ter uma autonomia para não
ficar ao bel prazer de projetos e programas do movimento
social. Devemos buscar nossas próprias fontes. A superação
dos obstáculos jurídicos deve caminhar na insistência
no uso das ações coletivas e na valorização
da Constituição Federal como estatuto jurídico
dotado de eficácia e força jurídica. No que
tange aos obstáculos socio-culturais, acreditamos que só
um trabalho sistemático de Educação Jurídica
Popular, visando a informação e formação
do movimento social sobre os Direitos Humanos Fundamentais, bem
como a capacitação para intervir no Poder Local desmistifica
o direito, as instituições e o aparelho estatal.
É na superação desses obstáculos socio-culturais
que AATR tem concentra seus esforços.
* Marilson Santana é diretor da AATR
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Nossas Atividades e Programas
Nos últimos meses,
a AATR continuou dando andamento aos seus Programas de Atividades
básicos, bem como participou da organização
do Plebicito da Dívida Externa junto com a CESE
e outras entidades. Participou também da Campanha De
Olho no Voto a convite da CNBB e da Caritas.
O Programa de Formação e Monitoramento para Jurista
Leigos está acontecendo em mais duas regiões: A região
de Santa Maria da Vitória e a região do Sisal. E continua
em Brotas de Macaúbas e na região de Paulo Afonso.
No Sisal, a parceria foi estabelecida com o Pólo Sindical
do sisal, mas a grande novidade é a parceria com a FASE e
a CUT que permitiu acesso ao Fundo do Amparo do Trabalhador - FAT
para a realização do Projeto. Essa mesma parceria
foi efetivada com o Polo Sindical do Submédio do São
Francisco, na região de Paulo Afonso. Novas etapas irão
ocorrer nos meses de setembro, outubro e dezembro nessas regiões.
O Programa de Formação e Assessoria em Políticas
Públicas está em fase de negociação
com a entidade financiadora. O Programa de Proteção
a Vítimas, Testemunhas e Familiares de Vítimas continua
suas atividades nos atendimentos dos casos de proteção.
As duas atividades de cunho político que AATR esteve envolvida
junto com outras entidades foi o Plebicito da Dívida Externa
e a Campanha de Olho no Voto conforme assinalado acima.
Quanto à primeira, a AATR colaborou principalmente na votação
efetivada na Justiça Federal da Bahia, participando de um
Seminário para Juizes e funcionários, bem como divulgando
material e organizando a eleição. O resultado
do Plebiscito foi animador, pois alcançou, segundo dados
do Setor Pastoral Social da CNBB, o número de 6.030 votantes
no país ( 5,7% do eleitorado brasileiro), sendo que cerca
de 5 milhões de pessoas responderam não ao pagamento
da dívida externa e interna e a manutenção
do acordo com o FMI. Na Bahia, teve um votação expressiva
de cerca de 450 mil pessoas, em que mais ou menos 420 mil pessoas
disseram não às três perguntas elaboradas. A
cidade do interior que teve mais voto, segundo informação
da CPT/Ba, foi Senhor do Bonfim com cerca de 70 mil votos. Salvador,
porém, teve cerca de 50 mil.
No que diz respeito a Campanha de Olho no Voto, a AATR, através
da associada Sara Cortes, confeccionou uma cartilha sobre aspectos
importantes da Lei 9840 para ser utilizada na campanha. Esta consiste
numa mobilização de diversas entidades para atuar
principalmente no combate a compra do voto e na corrupção
eleitoral.
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A
AATR E A QUESTÃO DAS TERRAS DE QUILOMBO
Em Agosto, A AATR, através
de Marilson Santana, e a Comissão Pastoral da Terra - CPT/Ba
acompanharam diversas Comunidades Negras Rurais Remanescente de
Quilombos em audiências, ocorridas no Distrito Federal, com
o Instituto de Colonização e Reforma Agrária
Incra, a Fundação Cultural Palmares
FCP, a Secretaria de Patrimônio da União SPU
e o Ministério Público Federal para exigir o cumprimento
de reivindicações referentes a desapropriação
fundiária, terras públicas e titulação
de terras. Nessa oportunidade, foi possível confirmar, em
uma escala mais ampla, as dificuldades e os obstáculos que
as Comunidades Negras Rurais do oeste da Bahia têm no dialogar
com os poderes públicos.
Nos dias 15, 16 e 17 de Setembro a entidade participou do Do Seminário
Preparatório para a Conferência Mundial Contra o Racismo,
com diversas entidades e militantes das lutas negras e indígenas.
Participou do grupo temático referente a Terras de
Quilombos, colaborando na formulação de quesitos
e reivindicações do povo na África do Sul.
Quilombola para a Conferência a ocorrer.
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O
FÓRUM ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO
O Fórum Estadual de
Educação do Campo é uma articulação
de movimentos organizados e Ongs que desenvolvem ou apoiam a educação
do campo, com âmbito de atuação estadual e que
conta com a presença da AEC, da CPT, MST , MOC, CEDITER as
Escolas de Família Agrícolas, bem como a Universidade
Estadual da Bahia e a UFBA.
A AATR participou, no ano passado, da elaboração do
regimento interno e do Estatuto do FEEC, bem como colaborou na realização
do I Encontro Estadual do Fórum.
Neste ano, aconteceu nos dias 18, 19 e 20 de agosto o II Encontro
do Forum de Entidades de Educação do Campo que teve
como tema as Políticas Públicas e a fiscalização
da Eleição, além de apresentação
de diversas experiências das entidades e movimentos .
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Expediente: Este informativo foi elaborado pela diretoria executiva
da AATR Colaboração: Isadora Browne.
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