Associação de Advogados
de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia


Editorial
Greve dos Canavieiros
Advogado: Triplê de Militante
Assassino de Trabalhador Rural na cadeia
A AATR continua andando




Editorial

Os últimos meses foram marcados por uma grande mobilização dos movimentos sociais, tanto no campo quanto na cidade. Ocupação de prédios públicos pelo MST, greves de diversas categorias refletem a insatisfação popular e demonstram uma situação-limite face ao sistema.

Os poderes institucionais não conseguem responder as demandas apresentadas e a crise tende a se agravar. O Executivo, além de manter uma “ditadura constitucional”, mediante a edição inflacionária de medidas provisórias, utiliza a via física com requintes da ditadura militar. O Legislativo pára, em função das eleições. O Judiciário, por sua vez, empenha-se na sua “reforma”, de caráter conservador, que só reforça o caráter seu elitista. Diante desse quadro, cabe a nós, advogados e operadores do direito que trabalham ao lado dos movimentos populares, aprimorar a nossa capacitação técnico-política, para que possamos desempenhar o nosso papel diante da crescente repressão e criminalização dos movimentos populares.
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Greve dos Canavieiros

A AATR, a CUT , a CJP, a CPT/Juazeiro, SAJU, Sintagro e o Stiaeb estiveram presentes jurídica e politicamente na Greve dos Canavieiros que trabalham na Agrovale. A AATR, através do associado Carlos Oliveira, ao lado de Adriana Nogueira, advogada da CJP, acompanhou o dissídio coletivo no TRT. Os Associados Marilson Santana e Maurício Azevedo se deslocaram para Juazeiro a fim de apoiar a mobilização.
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Advogado: Triplê de Militante

Por Zé Luiz
 
Há muito tempo, o advogado militante no Movimento Sindical/Popular vive discutindo a sua crise de identidade em relação ao seu papel no movimento: advogado, assessor ou militante político? Ou dublê (triplê) das três funções?

O certo, porém, é que essas indefinições trazem grandes prejuízos para o profissional que opta pela advocacia popular. As inúmeras atividades, quer sejam postulatórias, de assessorias, reuniões etc., impedem o advogado de se preparar satisfatoriamente para os embates próprios de sua especificidade. Assim, temos um “doutor” companheiro, presente nas assembléias, nos acampamentos e nas reuniões “d’baixo de pé de pau”, mas perdemos um bom profissional nas salas de audiências e nos tribunais. Outra questão que deve ser observada pelo advogado popular é que, não raras as vezes, as direções das entidades para as quais o advogado presta serviços, sejam elas Sindicais, de Igrejas ou ONGs, tratam os advogados como meros empregados, peças descartáveis, ao bel arbítrio do humor e da coloração política do dirigente.

Por conta dessas duas situações, faz-se necessário que o advogado militante no movimento popular, tenha em mente que é preciso, enquanto operador do direito, definir melhor a sua intervenção, valorizar-se na hora de assinar os contratos e, sobretudo, preparar-se tecnicamente, para sobreviver independentemente de vínculos empregatícios com as entidades empregadoras.

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ASSASSINO DE TRABALHADOR RURAL NA CADEIA !

Em Jacobina, no dia 05 de maio, a AATR, através das associadas Cecília Petrina e Marília Lomanto Veloso, funcionou como assistente do Ministério Público no júri popular que condenou, numa vitória de 6 a 1, a dez anos de reclusão, um dos assassinos de um trabalhador rural.

O evento, que mobilizou toda a região, contou com a presença de representação da Anistia Internacional.

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A AATR continua andando

Nos últimos dois meses, a Diretoria da AATR passou a tomar alguns encaminhamentos no sentido de cumprir as deliberações da Assembléia de fevereiro passado. Todos os programas da entidade vêm sentindo os reflexos disso.

O Programa de Formação e Monitoramento para Juristas Leigos iniciou as turmas da Região de Paulo Afonso (realizadas as duas primeiras etapas) e na Região de Barra e Xique-Xique ( realizada a primeira etapa). As regiões sisaleira e de Santa Maria da Vitória começarão o curso a partir do segundo semestre.

Considerando a necessidade, apontada na Assembléia, de se aperfeiçoar este programa, a convite da diretoria da instituição, os associados José Luiz Gomes, Marilson Santana, Goya Lamartine, Sara Cortes, Edson Macedo Filho e Myllena Calazans reuniram-se, na sede da entidade, para debater, discutir e sugerir modificações para o programa como um todo e especificamente para os conteúdos referentes ao Módulo de Teoria Geral do Estado e Teoria Geral do Direito. A associada Eneida Dutra, também convidada, mas não pôde comparecer. O encontro significou um início de conversa sobre as modificações de conteúdo e metodologia a serem assimiladas pelo curso. Vale dizer que essas reuniões estão abertas para todos os associados e quem tiver interesse em participar basta entrar em contato com a instituição.

O Programa de Proteção a Vítimas e Familiares de Testemunhas do Estado da Bahia – Provita-Ba desenvolve suas atividades normalmente, absorvendo já os sintomas da transição que se fará a partir do próximo ano. A equipe multidiciplinar participou, nessa segunda quinzena de Junho, de monitoramento junto com o GAJOP.  No que se refere ao Programa de Formação e Assessoria em Políticas Públicas, tem-se mantido contato com a entidade austríaca que se interessou em financiar o Programa. O representante dessa instituição esteve reunido com a diretoria da AATR no dia 16 de Junho de 2000, para discutir o projeto. Esteve também presente nesta reunião o Professor do Departamento de Ciência Política da FFCH da UFBA e colaborador da AATR, Elenaldo Teixeira. Este departamento, estará publicando, através da UFBA, o relatório das atividades do programa, bem como os anais do seminário realizado em parceria com a AATR e o MOC.

A Diretoria também vem discutindo a reestruturação da entidade para a implementação de atendimento a demandas de caráter processual oriundas dos Movimentos Sociais no campo. Ademais, os associados receberam, junto com o resumo do relatório da Assembléia passada, uma proposta de reestruturação para a qual a diretoria aguarda contribuições.

No inicio de Maio, a AATR foi solicitada para discutir a Assessoria Jurídica na Região do Submédio São Francisco, com o Polo Sindical do Submédio São Francisco, fazendo-se representada pelos Diretores Almir Farias, João Régis e Marilson Santana que se deslocaram até a região. A AATR ficou incumbida de elaborar um Parecer sobre Assessoria Jurídica que já está sendo encaminhado.

A entidade também foi provocada, pela CPT, a discutir a questão da constitucionalidade de Projeto de Lei de Iniciativa Popular que propõe a existência de verba municipal para a construção cisterna que captam água da chuva. A Diretoria decidiu fazer uma mesa redonda com o Constitucionalista Arx Tourinho, Subprocurador da República e Professor de Direito Constitucional da UFBA. O professor já foi contatado e o evento acontecerá na primeira quinzena de Julho.

Em que pese as dificuldades econômicas e Conjunturais, a AATR continua andando!
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Expediente: Este informativo foi elaborado pela diretoria executiva da AATR Colaboração: Isadora Browne.
Maiores Informações: – (71) 329 – 7393. Fax – (71) 329 – 3689 . e-mail – aatrba@terra.com.br


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