
Sede Nacional
SEPN Qd. 506 - Bl. C - Subsolo Sala 34 70530-535
Brasília-DF
Fone:
61 273-7320/7170 - Fax: 61 274-7671
E-mail: mndh@mndh.org.br
Home: www.mndh.org.br
Lutar pela democracia no país também é lutar
pelos Direitos Humanos. É com esse pensamento que o Movimento
Nacional de Direitos Humanos, o MNDH apóia publicamente
a Carta ao Povo Brasileiro que segue abaixo. Nesse momento crítico
da política nacional precisamos de ações
construtivas. São atitudes como esta carta que fazem o
cotidiano democrático e permitem a criação
de um governo mais honesto e participativo. Repassem esse texto
para o maior número de pessoas possível, o Brasil
agradece.
Movimento Nacional de Direitos Humanos
CARTA
AO POVO BRASILEIRO
Contra a desestabilização política do governo
e contra a corrupção:
Por mudanças na política econômica, pela prioridade
nos direitos sociais e por reformas políticas democráticas!
A
sociedade brasileira mudou e, na Constituinte de 1988, decidiu
por mudanças . Constituiu novos poderes e elegeu novos
governantes, para promover processos de transformação
social. Criou novas estruturas, combateu velhas instituições
e gerou novos mecanismos para fazer valer os direitos de todas
e cada uma das pessoas a uma vida digna.
Com
a força desta história recente, mas vigorosa, de
fortalecimento e radicalização da democracia em
nosso país que nós, representantes das organizações
populares, das organizações não governamentais,
do movimento sindical, dos movimentos sociais e personalidades,
convocamos toda a sociedade brasileira, cada cidadão e
cada cidadã, para uma grande e contínua mobilização
que torne possível enfrentar a crise política e
fazer prevalecer os princípios democráticos.
Nas
últimas eleições, com a esperança
de realizar mudanças na política neoliberal que
vinha sendo praticada desde 1990, o povo brasileiro elegeu o Presidente
Lula. Até este momento, avaliamos que pouca coisa mudou
e presenciamos um mandato cheio de contradições.
De um lado, o governo seguiu com uma política econômica
neoliberal, resultado de suas alianças conservadoras. De
outro, adotou um discurso da prioridade social e uma política
externa soberana e de aliança com as nações
em desenvolvimento. A eleição do Lula reacendeu
as esperanças na América Latina, e influiu de forma
positiva em alguns conflitos políticos na região.
De
olho nas eleições de 2006, as elites iniciaram,
através dos meios de comunicação uma campanha
para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo,
para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual
política econômica e as reformas neoliberais, atendendo
aos interesses do capital internacional.
Preocupados
com o processo democrático e também com as denúncias
de corrupção que deixaram o povo perplexo, vimos
à publico dizer que somos contra qualquer tentativa de
desestabilização do governo legitimamente eleito,
patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos.
Exigimos
completa e rigorosa investigação das denúncias
de corrupção, feitas ao Congresso Nacional e à
imprensa, e punição dos responsáveis. Sabemos
que a corrupção tem sido, lamentavelmente, o método
tradicional usado pelas elites para governarem o país.
Exigimos
também a investigação das denúncias
de corrupção, por ocasião da votação
da emenda constitucional que aprovou a reeleição
e dos processos de privatização das estatais ocorridas
no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Trata-se
portanto, de fundamentar a vida política em princípios
éticos como a separação entre interesses
privados e interesses públicos, de transparência
nos processos decisórios e a promoção da
justiça social.
Diante
da atual crise, o governo Lula terá a opção
de retomar o projeto pelo qual foi eleito, e que mobilizou a esperança
de milhões de brasileiros e brasileiras. Projeto este que
tem como base à transformação da sociedade
e do Estado brasileiros, uma sociedade dividida entre os que tudo
podem e tudo têm e aqueles que nada podem e nada têm.
Por
isso, vimos a público defender, e propor ao governo Lula,
ao Congresso Nacional e a sociedade civil, as seguintes medidas:
1-
Realizar e apoiar uma ampla investigação de todas
as denúncias de corrupção que estão
sendo analisadas no Congresso Nacional e punir os responsáveis
2-
Excluir do governo federal setores conservadores que querem apenas
manter privilégios, afastar autoridades sobre as quais
paira qualquer suspeição e recompor sua base de
apoio, reconstruindo uma nova maioria política e social
em torno de uma plataforma anti-neoliberal.
3-
Realizar mudanças na política econômica no
sentido de priorizar as necessidades do povo e construir um novo
modelo de desenvolvimento. A sociedade não suporta mais
tamanhas taxas de juros, as mais altas do mundo, sob o pretexto
de combater a inflação. A sociedade não sustenta
a manutenção de um superávit primário,
que apenas engorda os bancos.Os recursos públicos têm
de ser investidos, prioritariamente, na garantia dos direitos
constitucionais, entre eles, emprego, salário-mínimo
digno, saúde, educação, moradia, reforma
agrária, meio ambiente, demarcação das terras
indígenas e quilombolas.
4-
Realizar, a partir do debate com a sociedade, uma ampla reforma
política democrática. Uma reforma que fortaleça
a democracia e dê ampla transparência ao funcionamento
dos partidos políticos e aos processos decisórios.
Por isso, somos favoráveis à fidelidade partidária,
ao financiamento público exclusivo das campanhas, à
exclusão das cláusulas de barreira, e à apresentação
de candidaturas em listas fechadas com alternância de sexo,
obedecendo critérios de representação política
pluriétnica e multiracial. Queremos também a imediata
regulamentação dos processos de democracia direta,
que implica o exercício do poder popular mediante plebiscitos
e referendos, conforme proposta apresentada pela CNBB e a OAB
ao Congresso Nacional.
5-
Fortalecer os espaços de participação social
na administração pública e criar novos espaços
nas empresas estatais e de economia mista, viabilizando o controle
social e real compartilhamento do poder.
6-
Fortalecer as iniciativas locais em favor da cidadania e da participação
e da educação popular, como por exemplo os comitês
pela ética na política, conselhos de controle social,
escolas de formação política.
7-
Enfrentar o monopólio dos meios de comunicação,
garantindo sua democratização, inclusive através
do fortalecimento das redes públicas e comunitárias.
Neste
momento de mobilização, conclamamos as forças
democráticas e populares a se mobilizarem para realizar
manifestações de rua e protestos, e trabalhar para
promover as verdadeiras mudanças que o país e o
povo precisa.
Brasília,
21 de junho de 2005.
Atenciosamente
Seguem-se
entidades e movimentos da sociedade e da CMS (Coordenação
dos Movimentos Sociais)
ABI
- Associação Brasileira de Imprensa
ABONG
- Associação Brasileira de ONG
ABRAÇO
- Associação Brasileira de Rádios Comunitárias
Ação
da Cidadania Contra a Fome a Miséria e pela Vida
AMB..-.
Articulação de mulheres brasileiras
ANPG
- Associação Nacional dos Pós Graduandos
Campanha
Jubileu Brasil contra as dívidas e contra a Alca
CBJP
- Comissão Brasileira Justiça e Paz
CEBRAPAZ
-
CFEMEA
- Centro Feminista de Estudos e Assessoria
CIMI
- Conselho Indigenista Missionário
CMP
- Central dos Movimentos Populares
CNTE
- Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação
CONAM
- Confederação Nacional de Associações
de Moradores
CONEN
- Coordenação Nacional de Entidades Negras
CONIC
- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Conselho
Nacional de Iyalorixás e Ekedes Negras
CONTEE
- Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento
de Ensino
CPT
- Comissão Pastoral da Terra
CSC
- Corrente Sindical Classista
CUT
- Central Única dos Trabalhadores
EDUCAFRO
Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes
Federação
Nacional dos . Advogados
Federação
Nacional dos (as) Farmacêuticas
Federação
Nacional dos Economistas
FENAC
- Federação Nacional das Associações
FENAE
- Federação Nacional das Associações
do Pessoal da Caixa Econômica Federal
Grito
dos Excluídos
IBASE
- Instituto Brasileiro de Analises Sociais e Econômicas
IBRADES
Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
INESC
- Instituto de Estudos SocioEconômicos
JOC
- Juventude Operária Cristã
MAB
_ Movimento dos Atingidos por Barragens
Marcha
Mundial de Mulheres
MMC
- Movimento de Mulheres Camponesas
MPA
- Movimento dos Pequenos Agricultores
MST
- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
MSU
- Movimento dos Sem Universidade
MTD
- Movimento dos Trabalhadores Desempregados
MTST
- Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
P.O
Nacional - Pastoral Operária Nacional
Sindicato
dos (as) Farmacêuticos (as) no Estado de São Paulo
Sindicato
dos economistas do DF
UBES
- União Brasileira de Estudantes Secundaristas
UBM
- União Brasileira de Mulheres
UNE
- União Nacional de Estudantes
UNMP
- União Nacional de Moradia Popular
topo
Fechar