O
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) dispõe de
um novo instrumento para colaborar na luta pela erradicação
do trabalho
escravo em todo País. Trata-se da Portaria nº 835,
publicada no Diário
Oficial da União (DOU), que regulamenta a análise
da cadeia dominial dos
imóveis rurais que constam das chamadas listas sujas (áreas
autuadas com
trabalho escravo) pelo Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE). Com a
medida, o Incra dará prioridade para investigar se essas
áreas são
terras públicas e, portanto, foram ocupadas irregularmente.
A terra tem
que cumprir a sua função social, tanto do ponto
de vista econômico, como
do ambiental e trabalhista, afirmou o presidente do autarquia,
Rolf
Hackbart.
A
autarquia já identificou que dos 52 imóveis constantes
na primeira
lista do MTE apenas 16 estão cadastrados no Incra. Na segunda
lista
suja, estão registrados apenas 21 dos 49 imóveis.
Só isso demonstra que
há indícios de irregularidades já que esse
cadastro é obrigatório por
lei. Essa medida deve agilizar ainda mais o trabalho de erradicação
do
trabalho escravo no País, explica Carlos Kaiper,
assessor jurídico do
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e representante
da pasta na
Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho
Escravo (Conatrae). Segundo
ele, os imóveis podem estar localizados em terras griladas
e, se
confirmado o domínio público, ser arrecadados e
destinados
preferencialmente para a reforma agrária.
Outro
mecanismo que já foi utilizado pelo Incra é a desaprop
riação sob a
alegação de descumprimento da função
social trabalhista entre os
motivos para declarar de interesse social para fins de reforma
agrária.
O primeiro caso desse tipo aconteceu em outubro na fazenda Cabaceiras,
em Marabá, no sudeste do Pará. Foi o primeiro decreto
assinado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva motivado pela constatação
de
trabalho escravo. Declarou-se de interesse social uma área
de 9,9 mil
hectares. A Cabaceiras é considerada um símbolo
da reorganização
fundiária no Brasil e tem capacidade para assentar 250
famílias. Está
situada numa região que registra os mais altos índices
de conflitos
agrários no País.
Expropriação
Está
em tramitação na Câmara dos Deputados a Proposta
de Emenda à
Constituição (PEC) 438/2001 que, entre outros pontos,
regulamenta a
expropriação (sem pagamento de indenização)
de fazendas onde for
detectada a exploração de trabalho escravo. A proposta
foi incluída na
pauta da convocação depois que três fiscais
e um motorista do Ministério
do Trabalho foram assassinados quando investigavam a utilização
de
mão-de-obra escrava em Unaí (MG), no início
de 2004. Os ministros Miguel
Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Ricardo Berzoini (Trabalho
e
Emprego) e Nilmário Miranda (Secretaria Especial de Direitos
Humanos)
reafirmaram, no dia 23 de novembro, o compromisso do governo federal
com
a erradicação do trabalho escravo, realidade que
atinge cerca de 25 mil
pessoas em todo o País.
O
ato aconteceu durante a II Jornada de Debates sobre o Trabalho
Escravo, em Brasília. Os ministros defenderam a aprovação
da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) contra o Trabalho
Escravo, que precisa ainda
ser votada em segundo turno na Câmara dos Deputados para
que depois
retorne ao Senado para apreciação das mudanças
feitas no texto inicial.
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