Decisão histórica do Tribunal de Justiça
do Estado da Bahia condena Igreja Universal a pagar indenização
por usar imagem de mãe de santo para ofender o candomblé.
Em sessão lotada da Quarta Câmara Cível do
Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a Igreja Universal
do Reino de Deus e a Editora Gráfica Universal Ltda. foram
condenadas a pagar R$ 960.000,00 de indenização
por danos morais causados à falecida ialorixá Gildásia
dos Santos, do terreiro Axé Abassá de Ogum.
A
Igreja Universal e a Editora Universal haviam sido condenadas
em janeiro de 2004 pelo juiz de primeira instância Clésio
Rômulo Carrilho Rosa, da 17ª Vara Cível de Salvador,
a pagar indenização de R$ 1.372.000,00 (Um milhão,
trezentos e setenta e dois mil reais) por usarem, na edição
n.º 39 da Folha Universal (26 de setembro a 2 de outubro
de 1999), uma foto da ialorixá para ilustrar a manchete
"Macumbeiros Charlatões lesam o bolso e a vida dos
clientes". A foto havia sido publicada pela revista Veja
em 1992, numa matéria sobre as manifestações
a favor do impeachment do então presidente Collor de Mello.
A igreja e a editora foram condenadas, além da indenização,
a publicar a sentença na capa e encarte do jornal por duas
tiragens consecutivas; ambas recorreram da decisão em março
de 2004.
Segundo
Juliana Barros, advogada da Associação de Advogados
de Trabalhadores Rurais da Bahia (AATR-BA), o Tribunal de
Justiça, em relatório do desembargador Juarez Santana
na apelação 18175-3/2004, manteve a condenação,
reduzindo o valor da indenização para R$ 960.000,00.
Esta é uma das primeiras decisões de segunda instância
a dar ganho de causa num caso de ofensas ao candomblé por
parte da Igreja Universal.
Email CMI Salvador: ssa@midiaindependente.org
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/07/322304.shtml
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