O Tribunal de Justiça da Bahia, no dia 06 de Julho de 2005,
confirmou a condenação da Igreja Universal do Reino
de Deus à indenização por danos morais para
a família de Mãe Gilda, cuja foto foi estampada
no Jornal Folha Universal em matéria extremamente desrespeitosa
às religiões de matriz afro.
A sessão de julgamento estava lotada e emocionou os presentes:familiares
e amigos de Mãe Gilda, militantes dos movimentos sociais,
estudantes, jornalistas e demais pessoas interessadas no caso
emblemático. As portas do Tribunal abriram-se para o povo
de santo, que, ao final, entoou um canto para Xangô na voz
de Jaciara filha da ialorixá Mãe Gilda -
na frente do prédio.
Foi
ressaltado no julgamento que o caso não se tratava de uma
simples ação indenizatória, mas que os interesses
envolvidos diziam respeito a todo o povo de santo, bem como a
toda a sociedade, uma vez que a atitude da Igreja Universal foi
um grande desrespeito aos direitos culturais da população
afro-descendente e à liberdade de crença em geral.
O
Tribunal foi unânime pela manutenção da sentença
do juiz de 1° grau: obrigação da IURD de publicar
a sentença na capa do seu jornal por duas edições
seguidas e o pagamento da indenização, cujo valor
foi reduzido de R$1.372.000 para R$960.000, acrescida a correção
monetária e os 20% de honorários.
Apesar das possibilidades de recurso não estarem esgotadas,
este julgamento pode ser considerado uma grande conquista, já
que confirmou uma atitude incisiva do Poder Judiciário
na luta contra a intolerância religiosa. A decisão
é de máxima relevância para o combate às
discriminações sofridas historicamente pelo povo
de santo, pois demonstra que posturas de intolerância que
se tornam obstáculos concretos à liberdade do exercício
da fé não podem mais ser admitidas em nosso país.
A
AATR agradece a todas as companheiras, companheiros e entidades
que colaboraram na mobilização, enviando fax e e-mails
para o Tribunal de Justiça da Bahia e provocando o debate
em torno do caso.
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