Associação de Advogados
de Trabalhadores Rurais
no Estado da Bahia



APÓS 20 ANOS DE IMPUNIDADE, PAULO FEITOSA SERÁ JULGADO PELA CHACINA DA SERRA DA ONÇA

 



LOCAL: SALÃO DO JÚRI DO FÓRUM RUY BARBOSA
DIA: 29 DE MARÇO DE 2006
HORÁRIO: 8:30 DA MANHÃ


O HISTÓRICO DO CASO

Em 16/03/1984, cinco pistoleiros contratados por Paulo Feitosa assassinaram barbaramente uma família inteira: João Celestino da Costa foi atingido com profundos golpes de facão na cabeça e nas mãos, o mesmo aconteceu com seu filho Adailton Celestino da Costa de 12 anos. Sua esposa Maria José Santos, grávida de 3 meses, correu e foi morta a cem metros de casa, apedrejada, cortada de facão e jogada em um buraco. O crime aconteceu em Santa Luzia - Bahia e ficou conhecido como a Chacina da Serra da Onça. Paulo Feitosa mandou assassinar essa família porque queria roubar suas terras.

OS JULGAMENTOS E A IMPUNIDADE DE PAULO FEITOSA

Em 29/01/1992, graças à pressão do movimento popular e sindical, 4 dos 5 pistoleiros e Paulo Feitosa são levados a julgamento. Os pistoleiros afirmaram textualmente: “A gente matou porque Paulo Feitosa mandou”. O mandante usou de suas ligações com políticos e empresários poderosos da região para escapar desse julgamento que condenou seus pistoleiros a 54 anos de prisão.

O segundo julgamento foi marcado para 26/03/92, porém, Paulo Feitosa escapa da justiça, porque o juiz é retirado da comarca no último minuto. Novo júri é marcado para 12/05/92 e o juiz decreta prisão preventiva para evitar a fuga. O Tribunal de Justiça da Bahia concede “habeas corpus” e Paulo Feitosa escapa mais uma vez. Logo em seguida, Paulo Feitosa solicita a transferência do seu julgamento para outra comarca, onde tem aliados poderosos e pode mais facilmente aterrorizar os integrantes do júri. Em 23/03/96, os pistoleiros já condenados, recorreram e foram levados a novo Júri, onde também deveria ser julgado o mandante do crime Paulo Feitosa.

Os pistoleiros foram novamente condenados e estão cumprindo pena. Para espanto geral, a Justiça da Bahia alegou que não existiam condições de Paulo Feitosa ser submetido a julgamento em Santa Luzia e desaforou o processo, isto é, transferiu o julgamento para Salvador. Porém, durante mais de doze anos o Tribunal de Justiça da Bahia nada fez para que acontecesse este julgamento em Salvador. O processo ficou desaparecido durante muito tempo e somente em 2004 foi encontrado, entranhado num recurso dos pistoleiros. O último júri marcado para 29 de novembro de 2005 foi adiado devido mais uma manobra procrastinatória de Paulo Feitosa. Resultado: mais de 20 anos de impunidade.

Convocamos todas as organizações, militantes e movimentos que lutam pelos direitos humanos, pela justiça social, pelo fim da violência no campo e pelo fim da impunidade a se mobilizarem e comparecerem no julgamento.

AATR- Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia
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