MIRIAM HERMES
BARREIRAS
(SUCURSAL REGIONAL OESTE) A juíza Alice Maria Santos
Braga, titular da Vara Federal do Trabalho de Barreiras, condenou
a Fazenda Roda Velha Agroindustrial Ltda e José Leite Filho
a pagarem a Antônio Rodrigues Paé e Inácia
Cordeiro, todos os direitos trabalhistas e uma indenização
por dano moral calculada em R$ 9.275, (cada uma). Assinada dia
3 de novembro, a sentença foi publicada dia 16 último,
no Diário Oficial do Estado.
De
acordo com a Associação dos Advogados dos Trabalhadores
Rurais (AATR), a decisão da juíza Alice Braga,
é inédita no Estado, sendo a primeira sentença
de dano moral relativa ao trabalho análogo à escravidão.
Conforme o processo, as provas documentais e testemunhas atestam
que os trabalhadores foram arregimentados por José Leite
Filho, de quem eles recebiam ordens e pagamento salarial.
Antônio
e Inácia trabalhavam na fazenda Roda Velha, onde foram
localizadas 849 pessoas em condições análogas
ao trabalho escravo pelo grupo especial de fiscalização
móvel do Ministério do Trabalho e Emprego em agosto
de 2003. Na oportunidade da fiscalização na fazenda,
eles estavam viajando, comprovadamente cuidando de um filho doente
em Barreiras. Através da AATR entraram com uma causa
trabalhista, reclamando os seus direitos.
A
contratação através de terceiros, conhecidos
como gatos, não exime a Roda Velha pelo descuido
na má eleição e fiscalização
na execução do contrato de prestação
de serviços, conforme a juíza. Os reclamantes
recebiam remuneração variável, na razão
de R$ 1,40 por saca de café colhida. A média de
produção alegada é de 12 sacas/dia colhida
por Antônio e seis sacas/dia por Inácia.
CONSCIENTIZAÇÃO
De acordo com a Associação dos Agricultores
e Irrigantes da Bahia (Aiba) a entidade está atuando em
parceria com a Delegacia Regional do Trabalho em ações
de conscientização dos empregadores. No entanto,
admitem os produtores, há uma série de dificuldades
para que todos os ítens previstos na lei trabalhista sejam
observados.
Para
difundir as exigências legais, foram realizados nos anos
de 2003 e 2004 reuniões e seminários voltados principalmente
para os setores cafeeiro e algodoeiro.
Estes,
os maiores empregadores de mão- de- obra temporária,
onde ocorrem os principais problemas registrados na região
quanto à legislação trabalhista.
Segundo
a Subdelegacia do Trabalho de Barreiras, a evolução
dos empregos registrados nos nove municípios que compreendem
a região produtora do Cerrado baiano, passou de 2.659 em
2001, para 3.796 em 2002. Em 2003 foram 9.188 empregados rurais
registrados e 16.845 até setembro de 2004.
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